BLOG DA SAÚDE
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O perigo da importencia

Por Conceição Lemes (No Blog do Azenha)

            O medo de infertilidade e principalmente de disfunção erétil (antigamente denominada impotência sexual) ronda a cabeça de homens das mais diferentes idades. Ambas podem decorrer de fatores orgânicos e/ou emocionais.

            “O problema é que, por desinformação, muitas vezes os homens caem em ciladas que eles criam para si próprios no dia a dia”, alerta o urologista Sidney Glina. “Na prática, são o grande obstáculo à fertilidade e à potência sexual masculinas plenas.”

            Sidney Glina é muito respeitado pelos próprios colegas. Já foi presidente da Sociedade Internacional de Pesquisa de Disfunção Erétil e da Sociedade Brasileira de Urologia.  Atualmente, é professor livre-docente de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC e chefe da Clínica Urológica do Hospital Ipiranga, em São Paulo. Viomundo entrevistou-o para saber quais são as armadilhas e conhecer a receita para manter a fertilidade e potência sexual.

Viomundo –  Vamos começar pelas armadilhas. O senhor atende em serviços públicos e no consultório particular. Tem alguma armadilha que seja mais comum entre os jovens, por exemplo?
Sidney Glina
– Tem. É o uso sem necessidade das facilitadoras de ereção [Cialis, Helleva Levitra, Viagra, Vivanza]. Eles correm o grande risco de ficar psicologicamente dependentes, e, aí, só funcionarem na base da medicação. Portanto, é uma armadilha.

Viomundo – A brincadeira pode acabar mal?
Sidney Glina
-- Infelizmente, sim. Há basicamente três tipos de usuários dessas pílulas. Os pacientes que vão ao médico devido a dificuldades de ereção, e o médico prescreve. Há os homens maduros que querem dar uma turbinadinha para uma relação sexual eventual, principalmente na hora do almoço. Normalmente, eles não usam a medicação freqüentemente. E há um contingente, provavelmente o maior,  de homens que utilizam o remédio devido a medo ou insegurança. São principalmente jovens, inclusive adolescentes.

ViomundoDe que forma eles podem vir a ter disfunção erétil?
Sidney Glina
– Esses homens, jovens e adolescentes têm um ponto em comum: ereção perfeita mas que, seduzidos pela propaganda, recorrem a uma das pílulas existentes no mercado, para “mostrar serviço” ou “ter certerza de que o pênis vai funcionar”. Eles sabem que o remédio pode dar ajudazinha. Então, na primeira vez, usam geralmente com a namorada nova. Aí, na próxima saída, eles usam também, pois receiam que não dê certo. E, assim, vão usando sucessivamente. Com o tempo, esses indivíduos têm grande probabilidade de ficar dependentes psicologicamente da medicação. Começam a achar que só funcionam na base da medicação. E, se não usarem, podem realmente falhar. É uma das causas de disfunção erétil psicológica. 
 
ViomundoQue outras ciladas os homens armam contra a própria potência sexual e/ou fertilidade?
Sidney Glina – Há várias. A boa ereção depende não apenas do psiquismo “inteiro”, mas de nervos, artérias, veias, hormônios e músculos envolvidos no processo também íntegros. Por isso, ao usar cocaína o homem corre risco de promover danos à ereção. Explico. A cocaína mesmo consumida eventualmente e em pequenas doses pode levar à atrofia da musculatura dos corpos cavernosos, ou seja, das estruturas do pênis que, uma vez cheias de sangue, permitem a ereção. Com a manutenção do hábito, a lesão é irreversível. Aí, só prótese peniana. A cocaína afeta pouco a fertilidade masculina.

Viomundo – E a maconha?
Sidney Glina
– Compromete menos a ereção do que a cocaína. O que a maconha pode provocar, assim como a cocaína, é alteração na ejaculação. Ambas atrapalham a concentração, dificultando a excitação.  Assim, sob efeitos delas o indivíduo ejacula mal. Agora, a maconha, o crack e a heroína  contêm substâncias tóxicas aos espermatozóides, afetando-os profundamente. Mesmo usuários de fins de semana dessas drogas têm diminuição da qualidade dos espermatozóides. A maconha, especificamente, pode levar também à infertilidade masculina, reduzindo os níveis de testosterona [hormônio masculino produzido pelos testículos]. 

Viomundo – E a bebida alcoólica?
Sidney Glina
– Em excesso, o álcool, entre outras conseqüências à saúde, lesa os nervos penianos. Assim, a ordem enviada pelo cérebro aos corpos cavernosos para que se encham de sangue, não chega direito. O resultado é dificuldade para conseguir ter uma ereção. Segundo pesquisas, de 8% a 54% dos homens alcoólatras são impotentes. Além disso, homens que bebem freqüentemente têm mais dificuldade de engravidar suas parceiras por causa de dois problemas: ejaculação para trás, o que diminui o volume de espermatozóides no sêmen; ou insuficiência hepática, que pode levar à diminuição dos hormônios responsáveis pela produção dos espermatozóides.

Viomundo – E o cigarro?
 Sidney Glina
– O cigarro interfere no número e na motilidade dos espermatozóides, reduzinho-os. Mas, não há nenhum trabalho científico demonstrando que  diminui a fertilidade. Já a potência sexual reduz, sim. A nicotina dificulta a entrada de sangue no pênis, conseqüentemente  a ereção. A quantidade de nicotina contida em dois cigarros é suficiente para inibir a ereção de adolescentes.  Para agravar, a longo prazo o cigarro leva à formação de placas de gordura nas artérias, estreitando-as, ou seja, pode comprometer a ereção no futuro. Cachimbo, charuto e cigarrilha acarretam os mesmos malefícios que o cigarro.

Viomundo Que outras armadilhas tem detectado?
Sidney Glina
–As “bombas ”de anabolizantes, muito comuns em academias. No Brasil, são crescente causa de infertilidade. Por um mecanismo hormonal, fazem com que o indivíduo páre de produzir testosterona, impedindo a produção de espermatozóides. Em 10% a 20% dos casos, o dano é irreversível. Também por um mecanismo hormonal, as “bombas” levam à impotência sexual.

Viomundo  – É verdade que remédios contra quedas de cabelos à base de finasterida [Propecia, Pracap, Pro Hair, Finasterida Calvin, Finasterida Finastec, Finasterida Euro ou Finasterida Merck] podem causar infertilidade?
Sidney Glina
– No estudo em que a Food and Drug Administration, a agência americana controladora de alimentos e remédios, se baseou para aprovar a finasterida, não afetou a fertilidade. O estudo da FDA foi feito com voluntários sadios durante seis meses.  Porém, num trabalho que fiz com pacientes com infertilidade, ficou comprovado que o uso crônico altera o sêmen. Trabalhos feitos por outros colegas no exterior comprovaram a mesma coisa: em homens inférteis, a finasterida pode agravar a infertilidade. Algumas vezes o paciente tem alguma outra causa de infertilidade, como a varicocele [varizes no escroto]. Aparentemente o uso da finasterida pode aumentar o efeito desta outra causa. Por isso, a recomendação a todo usuário de finasterida, que está tentando engravidar e não consegue, é suspendê-la. A produção de espermatozóides volta ao normal.

Viomundo Os efeitos de álcool, maconha, cocaína e cigarro sobre a potência e/ou a fertilidade também são reversíveis?
Sidney Glina
--  Nunca se pegou um indivíduo absolutamente adicto para fazer contagem de espermatozóides e verificar seis meses depois como estava a quantidade. Mas, é claro, que os efeitos dependem do tempo de uso, quantidade e sensibilidade individual a essas substâncias. Quanto maior o uso maior o risco e menor a possibilidade de reversão. O que a gente vê no consultório com usuários de fins de semana de maconha e cocaína, por exemplo, é alteração na motilidade dos espermatozóides.  Os espermatozóides  “andam” mais devagar, diminuindo a probabilidade de engravidar. Quando detecto isso, peço  para o paciente suspender a droga.

Viomundo – Então o tratamento da infertilidade masculina e da impotência pode passar  pela suspensão dessas substâncias ?
Sidney Glina
– Com certeza. E muitas vezes só isso basta para reverter o problema.

Viomundo –  A esta altura, alguns leitores talvez estejam dizendo que isso é “caretice”, “nunca viram ninguém com impotência e/infertilidade por causa disso” e até que o senhor “está querendo tocar horror”. O que diria para eles?
Sidney Glina
– Infelizmente já vi, sim, muitos pacientes com problemas sexuais ou de fertilidade por causa destes “hábitos”. Recentemente atendi um que começou a tomar uma das pílulas para facilitar a ereção. No início, apenas um pedacinho do comprimido de 25mg. Dizia que era para dar uma turbinadinha. Agora, ele diz que a dose de 100mg já não funciona mais. Este paciente não tem nenhum problema orgânico! Tem apenas uma falta de confiança muito grande em si próprio.

ViomundoAfinal, qual a receita para o homem manter a potência sexual e a fertilidade?
Sidney Glina
– É a mesma receita para ter boa saúde física e mental: 1) Não abusar do álcool; 2) Evitar maconha, cocaína, heroína, crack, ecstasy; 3) Dar adeus ao tabagismo, qualquer que seja a sua idade; 4) Evitar a obesidade ou emagrecer se estiver acima do peso.  Ao combater a combater a obesidade, por tabela, diminui-se o risco de impotência sexual e infertilidade masculina. A obesidade favorece ambas; 5) Controlar a pressão arterial, os níveis de colesterol e de “açúcar” no sangue. São medidas fundamentais para manter a integridade de nervos, artérias e vasos sangüíneos de todo o corpo, inclusive do pênis, ajudando a evitar disfunção erétil; 6) Praticar algum tipo de atividade física. O homem que caminha três vezes por semana durante 30 minutos tem mais chance de manter a potência sexual do que aquele que não faz exercício.

Viomundo – O que receitaria mais?
Sidney Glina
– Educação sexual. Não existe medida preventiva mais efetiva contra a disfunção erétil. Todo homem tem medo potencial de ficar impotente. Não há como não ter. Mas, se entender como funciona a sexualidade, menor a probabilidade de ter impotência por problemas psicológicos, que é a maior parte dos casos. Por exemplo, não se obrigar a um número x de relações sexuais só para cumprir calendário. Transar em condições  adversas perturba o envolvimento erótico, portanto a ereção. Se falhar porque estava estressado, bebeu demais ou a garota, de repente, lhe desagradou, desencanar. Vai dormir, no dia seguinte levantará bem e terá uma relação sexual tranqüila. É vital também compreender e aceitar as alterações normais do desenvolvimento contínuo do homem.

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Temporão, gripe suína e mídia: "Clima de insegurança ou medo não é bom conselheiro"

                O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, concedeu ontem uma longa entrevista sobre influenza A,ou gripe A, popularmente conhecida como gripe suína, à EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Foi durante o programa Bom Dia, Ministro.

                "Esse é um momento, onde a imprensa, a TV e os jornais tem  grande responsabilidade de informar, educar, orientar a população", alertou Temporão. "É para que gente não crie um clima de insegurança ou de medo, que não são bons conselheiros."

Durante 59m e 42s, Temporão respondeu as dúvidas de âncoras de emissoras de rádio do Brasil inteiro.

Eis alguns trechos:

Comportamento da doença: Embora seja uma nova doença, que traz dúvidas, interrogações e insegurança, o seu comportamento na prática tem semelhanças muito grandes com da gripe comum. Seja do ponto de vista dos sinais, dos sintomas da letalidade, do tratamento e das medidas de prevenção.

Grupos de risco: São em geral crianças muito pequenas, idosos, mulheres grávidas, pessoas que tem principalmente doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, bronquite, enfisema, asma. Também pessoas que se tratam de doenças que reduzem a imunidade do organismo, como câncer, pessoas que fazem quimioterapia ou que fizeram transplantes de órgãos, e por isso estão tomando medicamentos para evitar a rejeição.

Medicamentos: Só a partir do dia 8 de julho é que nós declaramos que o vírus circulava livremente no Brasil. Até então nós tínhamos um número pequeno de casos e um número muito pequeno de óbitos. Esse começo é o que eu chamo de fase um. Foi a fase de contenção de impedir que o vírus circulasse no Brasil. E nós obtivemos grande sucesso, afinal de contas durante 80 dias impedimos a circulação do vírus. Agora, nós estamos distribuindo 50 mil tratamentos. Em nenhum momento faltou medicamentos. E não faltará, porque nós temos nove milhões de tratamentos estocados na Fundação Oswaldo Cruz, prontos para serem distribuídos.

Estados do Sul: A grande preocupação nesse momento é evidentemente com a situação dos estados do Sul, onde as baixas temperaturas durante essa época do ano facilitam muito a propagação das doenças respiratórias, entre elas essa nova virose. Essa preocupação também se estende a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. A situação nos estados da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte é bastante distinta, até pelas especificidades climáticas que ajudam um pouco. Isso não quer dizer que a doença não possa contaminar um grupo de pessoas dessas regiões.

Medicamento na farmácia: Em nenhum momento houve uma solicitação formal ou uma determinação do Ministério da Saúde de que o laboratório retirasse o produto das farmácias. Isso não aconteceu. Entretanto, do ponto de vista prático, imagino que há uma gigantesca demanda mundial por esse medicamento e o laboratório está tentando atender todos os pedidos. Assim, o medicamento não é encontrado hoje nas farmácias.

Outro aspecto. O fato do medicamento não estar disponível nas farmácias é extremamente positivo, e vou te explicar por quê.  Numa situação como essa, mesmo que exigíssemos que o medicamento fosse prescrito por um médico, ou seja, houvesse exigência de receita médica para a venda, a cultura da automedicação é muito forte no Brasil. O que levaria a uma corrida das pessoas às farmácias na falsa ilusão de que comprando o remédio estariam se protegendo de alguma forma. Nós teríamos pessoas tomando medicamento sem indicação, automedicando-se, e ficando gravemente doentes por efeitos colaterais do remédio. O remédio não é isento de efeitos colaterais. E o mais grave é que quanto mais você coloca o vírus em contato com o medicamento maior a probabilidade de que esse vírus sofra uma mutação e apresente resistência ao remédio. E, aí, tem uma questão muito grave que é a seguinte: nesse momento em que não temos ainda uma vacina, a única arma contra essa doença é apenas esse remédio. Se o vírus desenvolve resistência a esse medicamento, nós ficaríamos numa situação dramática, crítica.

Prevenção: Existem medidas de prevenção que ajudam a nos proteger. O vírus está dentro das pessoas. Então, quando a pessoa tosse ou espirra, ela projeta microgotículas no ambiente, e dentro destas microgotículas está o vírus. Se você estiver perto, bem perto desta pessoa, você pode inspirar essas microgotículas. Mas elas podem também se depositar sobre superfícies. Existem estudos mostrando que o vírus sobrevive nessas situações entre 24 a 72 horas. Ora, é muito comum, muito provável que você toque algumas dessas superfícies. Então, a medida mais importante é lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia. A segunda, para as pessoas que estão resfriadas ou gripadas, é o uso do lenço descartável ao tossir e espirrar, cobrindo o nariz e a boca. A terceira medida é não compartilhar alimentos, copos, talheres, pratos, objetos de uso comum. E, uma quarta medida, tentar estar em ambientes arejados.

Exames laboratoriais: Em num primeiro momento, o Brasil se preparou para impedir que o vírus entrasse e circulasse. Nós conseguimos isso durante 80 dias. Nessa etapa, era muito importante que em todos os casos suspeitos fosse feito exame laboratorial, porque havia necessidade da certeza de que aquele caso era ou não causado pela nova gripe. Era um trabalho obsessivo de rastreamento de todos os contatos. Mas quando nós percebemos que em um caso de São Paulo não foi possível estabelecer um vínculo entre o caso confirmado e alguém que tinha vindo de fora, deixou de fazer sentido o exame diagnóstico de certeza em todos os casos. A própria Organização Mundial de Saúde orienta os países dessa forma. Na atual fase, o teste deve ser feito apenas em duas situações. Primeira: o Brasil tem uma rede de 68 centros de referência, que colhe material das pessoas com síndrome gripal. Para que isso? Para que a gente possa estar monitorando se o vírus está circulando e aonde ele está circulando. Segunda: todos os casos graves e todos os casos que forem a óbito terão material colhido e o exame de certeza ser realizado. Por quê? Porque nós temos que monitorar as características do vírus, se ele está ficando mais grave ou se em alguns casos estão aparecendo de maneira diferente.

Exame versus tratamento: Não há nenhuma relação entre o exame de confirmação -- se a pessoa tem o vírus da gripe sazonal ou o da nova gripe -- do ponto de vista de diagnóstico, clínico ou de tratamento. Ou seja, eu não preciso ter a certeza de diagnóstico para atender a pessoa, fazer o diagnóstico clínico -- que é por sinais e sintomas -- e tratar adequadamente, porque o mesmo remédio que eu uso para tratar a gripe sazonal, eu uso para tratar a nova gripe. Então, eu chego a um médico com um quadro de gripe hoje. Para ele não tem mais importância se é uma gripe comum ou se é uma nova gripe. É uma gripe. Ele vai avaliar e vai ver se você está dentro do critério de grupo de risco, vai ver se você está com uma gripe branda que vai se resolver sozinha, vai te orientar a ficar em casa, repousando, não ir trabalhar, não ir à escola, porque você estaria passando a gripe comum ou a outra para outras pessoas. Se a pessoa está num quadro um pouco mais grave ou se enquadra no grupo de risco, vai tomar um medicamento específico. Então, é por esse motivo que nesse momento em nenhum país do mundo se faz mais o exame laboratorial para todos os casos.

Comportamento do vírus: A própria Organização Mundial de Saúde recentemente declarou que não há nenhuma percepção de que há mudança de comportamento de vírus ou da sua estrutura. Ou seja, o vírus se mantém estável; ele não sofreu nenhuma mutação e tem uma letalidade bastante semelhante à da gripe comum.

Sintomas e orientações: O principal deles é febre acima de 38 graus. O segundo é tosse, que pode vir acompanhado também de dor de garganta, dores musculares, dores nas articulações e dificuldade respiratória ou cansaço pra respirar. Então, se você tem qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde, não procurar um hospital. A rede de hospitais -- nós temos cerca de 900 leitos equipados pra atender os casos mais graves --  deve atender os casos que necessitam de internação, os casos mais graves. Se a pessoa tem os sintomas, ela deve procurar, o seu médico do plano de saúde. Se ela usa o Sistema Único de Saúde, o serviço que ela usa normalmente. Procure a equipe de Saúde da Família, o centro de saúde, o posto de saúde, o ambulatório, a policlínica ou a unidade de pronto-atendimento 24 horas.

Vacina: Algumas pessoas que perguntam 'cadê a vacina? ' O problema é o seguinte: neste momento, ainda não existe uma vacina. O processo de produção de uma vacina contra a gripe demora entre quatro a seis meses, pelo menos. Ela tem que ser testada em pessoas. Porque podem surgir efeitos colaterais inesperados. Ela pode não proteger adequadamente. Então, nós temos que ter segurança total de que a nova vacina vai proteger e não causar mais complicações. Qual é a expectativa? Entre outubro e novembro, é provável que já existam algumas vacinas que estariam sendo utilizadas pelos países do Hemisfério Norte, porque lá vai está começando o inverno. O Brasil está fazendo o quê? Estamos em contato com todos os laboratórios que estão trabalhando para ter uma vacina, já estamos perguntando o preço e ofertas de doses. E o Instituto Butantan, em São Paulo, tem capacidade industrial e tecnologia pata fazer a vacina e, com certeza, será um dos laboratórios que vai fazer. O Brasil terá essa vacina para proteger a população no ano que vem.

Se quiser ouvir a entrevista do Ministério Temporão na íntegra, o áudio está aqui.   

 A todos,  recomendamos este vídeo.  

Se começar a embarcar na onda terrorista da mídia corporativa, leia ou releia 'Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade.'

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Deu no blog do Azenha (www.viomundo.com.br)

Pílula do dia seguinte: use a seu favor

Por Conceição Lemes

                A pílula do dia seguinte – no linguajar médico, pílula anticoncepcional de emergência ou contraceptivo de emergência – chegou ao Brasil em 1999. Em 2008, depois de muita luta, passou a ser distribuída gratuitamente em todos os postos de saúde da rede pública das capitais e de municípios com mais de 500 mil habitantes no Brasil.

                “A aceitação é boa”, informa a área técnica do Programa de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde (MS). “É usada principalmente por mulheres de18 a 29 anos.”

                As curetagens pós-aborto diminuíram. Em 2007, foram 213.539; em 2008, 199.998. Já os abortos legais – casos de violência sexual – não baixaram, quando olhamos os números de Brasil. Em 2007, somaram 2.128; em 2008, 3.277.

                “As mulheres estão sendo mais orientadas a solicitar o aborto legal. Porém, ainda não utilizam o contraceptivo de emergência a contento”, avalia o MS, que dá uma boa notícia. “Em alguns municípios essa realidade está mudando. É o caso de Campinas. A ampla divulgação do serviço de saúde especializado, que orienta a procurá-lo dentro de 72 horas, ocasionou grande uso de contraceptivo de emergência; em conseqüência, redução dos abortos legais. Em 2008, foi ZERO.”

                Milena *, 25, já usou: “Foi uma vez só. Eu estava sem parceiro há um tempo; aí, conheci um carinha, rolou um clima e transamos. No dia seguinte, me dei conta de que estava no meu período mais fértil. Apavorada, liguei para minha ginecologista. Tomei a pílula. Felizmente funcionou”.

                Cláudia* , 34, recorreu ao medicamento em duas ocasiões: “Na primeira, escorreu um pouco de esperma na vagina; no final da relação sexual, meu parceiro demorou para tirar o pênis, e a camisinha escapou. Na outra, uns dois anos depois, estávamos só ‘brincando’. A idéia era não penetrar. Acabamos transando”.   

                 Viviane*, 19, utiliza a pílula quase todo mês: “É mais prático do que tomar hormônio todo mês. Também não preciso ficar pedindo para o carinha usar camisinha. Se rola uma transa no período fértil, vou à farmácia no dia seguinte, compro a pílula e tomo”. 

                “A pílula do dia seguinte é uma grande conquista de nós, mulheres; permite que sejamos mais ‘donas’ do nosso próprio corpo e da nossa saúde reprodutiva, pois evita gravidez indesejada após relação sexual desprotegida ou violência sexual”, afirma a médica ginecologista e obstetra Fátima Duarte, de São Paulo. “Para isso, temos que usá-la a nosso favor, como fizeram a Milena e a Cláudia. Já a Viviane, está usando de forma errada, contra ela própria. Além dos efeitos colaterais, corre o risco de engravidar qualquer dia desses. O uso freqüente diminui a sua eficácia.”

                A pílula do dia seguinte é aprovada pelo Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina (CFM), Organização Mundial da Saúde (OMS), Federação Brasileira das Associações e Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), International Planned Parenthood Federation (IPPF), Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), entre outras instituições nacionais e internacionais.

                Fátima Duarte é ginecologista e obstetra. Ao longo de quase 30 anos de profissão, atendeu mulheres de todas as idades, diferentes etnias, culturas e níveis socioeconômicos em postos de saúde, hospitais públicos, privados e em seu consultório. Nesta entrevista ao Viomundo, ela responde às dúvidas mais frequentes sobre o tema.


Viomundo – Doutora, para a Igreja Católica a pílula do dia seguinte é abortiva. Existe uma mínima possibilidade de ela ser abortiva?

Fátima Duarte – Definitivamente, a pílula do dia seguinte não tem nenhuma ação abortiva.  Tanto que a legislação brasileira proíbe o aborto - estupro e risco materno são as exceções – e não proíbe a pílula do dia seguinte, que está disponível para todas as mulheres nas unidades básicas de saúde. Em segundo lugar, se ela engravidou apesar de ter tomado a pílula, não há risco durante a gestação nem para a mãe nem para o feto.
A gravidez resultante da falha da pílula do dia seguinte ou da falha de anticoncepcional hormonal não leva a gravidez de risco.

Viomundo – Qual a diferença entre a pílula anticoncepcional convencional e a do dia seguinte?

Fátima Duarte – A composição hormonal é semelhante, a diferença está no número de tomadas e na forma de ação. A cartela da pílula anticoncepcional oral possui 21 comprimidos, a mulher toma a partir do quinto dia do ciclo menstrual. A pílula do dia seguinte é administrada oralmente na fórmula de um ou dois comprimidos. Existem ainda outros contraceptivos hormonais, que agem de forma semelhante à pílula anticoncepcional: o injetável, o anel intravaginal, o adesivo e o implante intradérmico.  
 
Viomundo – E a forma de ação?

Fátima Duarte – O anticoncepcional hormonal atua no hipotálamo e na hipófise, inibindo os hormônios FSH e LH, que agem no ovário estimulando o crescimento do folículo ovariano e sua ruptura com eliminação do ovócito, popularmente conhecido como óvulo. Já a pílula do dia seguinte atua somente no endométrio – a camada que reveste internamente as paredes do útero --, desidratando-o.

Viomundo -- Trocando em miúdos.

Fátima Duarte – Nós, mulheres, nascemos com 400 mil futuros óvulos guardados em folículos – são como favos de mel recobertos por uma capa -- dentro de dois ovários, as fontes da vida. Cada ovário, um em cada lado do útero, tem o formato de uma amêndoa, mede 3,5 x 2,5 x 2,5 cm, e ocupa um espaço menor do que uma colher de sopa. Na fase reprodutiva feminina, da primeira à última menstruação (menopausa), todo mês um folículo se desenvolve no ovário e o útero se prepara para receber o óvulo fecundado, como uma “cama acolchoada”, para o caso de haver gravidez. A pílula do dia seguinte faz com que o “acolchoado” se desidrate, ocorrendo a menstruação na época certa ou um pouco antes. Não há a fixação do óvulo fecundado no endométrio. A menstruação será como a de sempre: a camada é desprendida e começa um novo ciclo. A menstruação não é, como muita gente pensa, a eliminação do óvulo fecundado. O óvulo é como um botão de rosa: dura 48 horas e só pode ser fecundado nesse período. Se não for fecundado, é absorvido pela trompa.

Viomundo – Qual a eficácia?

Fátima Duarte – Acima de 95%.  Mas para isso tem que ser tomada em até três dias, ou 72 horas, após a relação sexual desprotegida. Quanto mais precoce o uso, maior a eficácia.

Viomundo – E se a pílula não funcionar e a gravidez vingar?

Fátima Duarte – A gravidez ocorrerá sem dano para a mulher ou para o feto, pois a pílula do dia seguinte não os afeta. Mas atenção. Por favor, não confundam a pílula do dia seguinte com a pílula abortiva – a fórmula é totalmente diferente --,que existe desde 1988 em países onde o aborto é legalizado. A pílula abortiva não existe no Brasil.

Viomundo – A pílula do dia seguinte oferece algum risco ao bebê, caso a gravidez vá adiante?

Fátima Duarte – Não.

Viomundo – Qual a probabilidade de a mulher engravidar numa única relação sexual no período fértil?

Fátima Duarte – É alta: 25%. Daí a grande importância da pílula do dia seguinte. Na quase totalidade dos casos, previne uma gravidez inesperada após uma relação sexual desprotegida. Permite que a mulher faça a sua opção sem medo, sem culpa, sem o risco do aborto clandestino. Acredito que a pílula do dia seguinte é um importante instrumento para diminuição dos casos de abortos. O aborto é a terceira causa de morte materna e a quinta causa de internação na rede pública de saúde do país.

Viomundo – Quando a mulher deve recorrer à pílula do dia seguinte?

Fátima Duarte – É um método de emergência. Portanto, só deve ser usada em situações especiais. Primeira: falha do método anticoncepcional que está usando – por exemplo, conta errada, quando usa tabela; rompimento da camisinha; deslocamento do diafragma ou do DIU; relação incompleta malsucedida; esquecimento de tomada da pílula convencional. Segunda: violência sexual, estupro. Terceira: eventual relação sem uso de método anticoncepcional.

Viomundo – Doutora, o que vocês, ginecologistas, recomendavam nessas situações apontadas antes do advento da pílula do dia seguinte?

Fátima Duarte – A cartela do anticoncepcional oral contém 21 pílulas, nós receitávamos 10 pílulas divididas em três dias. A mulher, mesmo orientada, como em qualquer tratamento com muitos comprimidos, às vezes errava na dose, diminuindo a eficácia.  Além disso, esse esquema dava muitas náuseas, ou vômitos. A pílula do dia seguinte, portanto, é uma grande conquista da mulher. Aqui, nós lutamos muito para que ela fosse legalizada. Embora o Brasil seja o país onde mais vende anticoncepcional no mundo, a pílula do dia seguinte chegou aqui com uma defasagem de mais de 30 anos em relação aos chamados países de Primeiro Mundo.

Viomundo – Mas há mulheres, como a Viviane, que usam de rotina, substituindo outros métodos contraceptivos...

Fátima Duarte – As mulheres sabem ver, sabem ouvir, aprendem tão rápido... O que é preciso é falar com elas. Com carinho e orientação, a Viviane aprenderá como ocerto está longe do errado. Ela assim como as meninas, as adolescentes e as mulheres de todas as idades aprenderão que a pílula do dia seguinte não é um método anticoncepcional, mas um recurso para determinadas situações. O erro só existe quando não há a informação. A mulher tem que saber ser a melhor amiga dela mesma.

Viomundo – Quais as consequências dessa desinformação?

Fátima Duarte – A venda indiscriminada e o consumo sem necessidade. Vemos muitas mulheres terem relação desprotegida fora do período fértil, com risco zero de gravidez, e até laqueadas, que, por medo e desinformação (“Nunca se sabe, né?”), tomam a pílula do dia seguinte a conselho de alguma amiga. Outro erro muito comum é tomar a pílula do dia seguinte após as 72 horas da relação sexual, quando já não funciona mais.

Viomundo – O uso seguido diminui a eficácia?!

Fátima Duarte – Sim, é verdade.  O nosso corpo funciona harmonicamente. É mais difícil bloquear fenômenos biológicos naturais do que não bloquear. A energia vital do nosso corpo é uma energia inteligente e as descobertas da ciência devem ser usadas a nosso favor e não contra nós. Assim como acontece com outros medicamentos, o uso repetido da pílula do dia seguinte bloqueia certos receptores, o organismo se acostuma, não reconhece mais a pílula, diminui sua eficácia e aumenta o risco de engravidar.

Viomundo – Que outras consequências o uso repetido pode ter? 

Fátima Duarte – A pílula do dia seguinte deve ser usada com moderação e cautela em mulheres que também não usar anticoncepcional hormonal. São mulheres com diabetes, cardiopatia, hipertensão, fumantes, alterações de fatores de coagulação, de colesterol, flebites. Também naquelas com história familiar de mulheres (mãe, irmãs) com menos de 45 anos que tiveram AVC [acidente vascular cerebral, o popular derrame] infarto, câncer de mama, útero e ovário.

A propósito. Fala-se muito pouco de cigarro, pílula e a mulher. O homem fumante tem três vezes mais infarto do que o que não fumante, enquanto a mulher fumante tem cinco vezes do que não fumante. Agora, se a mulher fuma e faz uso de anticoncepcional hormonal, o seu risco de ter doenças cardiovasculares – AVC e infarto --  aumenta 39 vezes.

Viomundo – Esses riscos são da pílula anticoncepcional tradicional ou da pílula do dia seguinte?

Fátima Duarte – São do anticoncepcional hormonal convencional. Mas a mulher que utiliza frequentemente a pílula do dia seguinte está se expondo mais a esses riscos. É importante frisar que as consequências e riscos do uso de anticoncepcional hormonal não dependem do tempo em que se faz uso e nem da dose, pílula mais fraca com menos hormônio, pílula mais forte com mais hormônio. É uma reação semelhante ao que acontece quando somos picados por uma abelha. Você pode ter uma reação alérgica local que passa com pomada ou uma reação sistêmica que necessita de cuidados até hospitalares, não importando se devido a uma a várias.  O rigor na contra-indicação da pílula do dia seguinte é semelhante. Deve ser avaliado e posto na balança, pois as mulheres que têm risco aumentado no uso do anticoncepcional hormonal são as mesmas com maior risco em uma gravidez.

Viomundo – Mulheres com diabetes, hipertensão, alterações de plaquetas ou fumantes não devem tomar nunca a pílula do dia seguinte?

Fátima Duarte – Os riscos de uma hipertensa, diabética ou cardíaca na gravidez são maiores do que o uso eventual da pílula do dia seguinte, mas não temos indicadores ainda do efeito nessas mulheres. Cada caso deve ser avaliado e a pílula do dia seguinte não pode ser usada por conta própria. O ideal é que seja com orientação de profissionais de saúde, fazendo parte dos programas de Atenção aos Direitos Reprodutivos da Mulher assegurados pelo Ministério da Saúde.

Viomundo – A mulher tem que tomar a pílula em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Como ficam as usuárias da rede pública de saúde e até as de planos de saúde, já que as consultas muitas vezes demoram para ser agendadas?

Fátima Duarte – Este é o nosso desafio de cidadania: garantir às mulheres na fase reprodutiva acesso rápido e eficaz nas suas necessidades físicas, emocionais e sociais. Agilidade, acolhimento e resolutividade devem se dar nessas 72 horas. Temos no Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS), um dos melhores e mais democráticos do mundo. O problema é que, na rede pública de saúde, a grande maioria não conseguirá atendimento nessas 72 horas. Essa mulher vai acabar tomando a pílula, orientada pela amiga, vizinha, pela colega de trabalho ou faculdade, muitas vezes de maneira errada.  Por isso que este é o nosso grande desafio: garantir na prática o direito já garantido na lei.

Viomundo – O que a senhora recomendaria às mulheres que estão lendo esta entrevista?

Fátima Duarte – É importante que toda mulher em fase reprodutiva vá ao médico, discuta os prós e contras de cada método anticoncepcional e escolha o mais adequado às suas condições de saúde e estilo de vida. Se você conhece e usa a pílula do dia seguinte, não faça isso com freqüência.

Viomundo -- A pílula do dia seguinte visa prevenir a gravidez. Como fica a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV, o vírus da aids?

Fátima Duarte – Assim como que é possível engravidar numa única relação sexual no período fértil, você pode infectar-se por uma doença sexualmente transmissível numa única relação sexual. É fundamental usar a camisinha junto com os outros métodos anticoncepcionais, somando garantias. Esta combinação sempre dá certo.
É tão bom falar de saúde, mais ainda de saúde sexualmente transmissível.  

Viomundo – Doutora, para terminar, uma proposta “indecente” que já fiz a outros entrevistados. A senhora toparia esclarecer dúvidas que os leitores ainda tenham sobre a pílula do dia seguinte?

Fátima Duarte – Claro. Afinal, informação é fundamental para se usar a pílula do dia seguinte a nosso favor e não contra nós. É só deixar as perguntas nos comentários. Responderei aqui mesmo.

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 16% traem; 56% não usam camisinha

Deu no blog dop Azenha (Viomundo.com.br)
                 O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.

 

                As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%.

SEXO SEGURO

                A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos.

                Os jovens de 15 a 24 anos de idade demonstram mais atitude em relação às doenças sexualmente transmissíveis.  Eles têm comportamento mais seguro quando comparados às outras faixas etárias – usam mais o preservativo. O retrato da vida sexual desse segmento é um dos destaques da Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos (PCAP - 2008). O levantamento foi realizado em todas as regiões do Brasil e ouviu 8 mil pessoas de 15 a 64 anos de idade. 

                O grupo entre 15 a 24 anos de idade adota mais o preservativo em todas as situações. Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% deles usaram preservativo, enquanto nos maiores de 50 anos a proporção não chega a 38%. Com parceiros fixos, 30,7% dos jovens costumam fazer uso da camisinha. Entre aqueles de 25 a 49 anos só 16,6% adotam a mesma prática. Acima de 50 anos, o percentual cai para 10%. Isso pode ser um reflexo das campanhas dirigidas para o público e do envolvimento das escolas nas atividades de prevenção às DST e aids.
 Apesar do elevado conhecimento, o estudo aponta que, depois da primeira relação sexual, o uso da camisinha cai. Passa de 61% para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais. “Os jovens de hoje nasceram na era da aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual”, avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde. De acordo com ela, o problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas.

                É também nessa faixa etária que se registra o maior número de parceiros casuais. No último ano, 14,6% dos jovens tiveram mais de cinco parcerias eventuais. No mesmo período, o índice foi proporcionalmente a metade (7,2%) entre a população de 24 a 49 anos de idade.  
                Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.   
                Outro dado importante. Em 2003, os Ministérios da Saúde e da Educação, em parceria com escritórios das Nações Unidas, implantaram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas, que discute prevenção das DST e aids, saúde sexual e reprodutiva. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar. “O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e a prevenção das DST”, acredita Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids.

INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

                A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. 

                Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos. Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.

 MAIS EXPOSTOS

 A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008. 

Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão).  
                A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.

O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO
                O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo –  criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:

* Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;

*  Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);

* Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;

* Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.

                A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.

 

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Prevenção de HIV/aids: de todo o coração

por Conceição Lemes (Viomundo.com.br)

                Testes para hepatite, sífilis, toxoplasmose, hemograma, urina tipo 1 e HIV fazem parte do “pacote” dos exames do pré-natal. Todos são indispensáveis para garantir a saúde da gestante e do seu futuro neném.

                A sífilis não tratada, por exemplo, é a primeira causa de aborto depois de 20 semanas de gravidez. Pode causar também má-formação do feto, cegueira, problemas ósseos, surdez e deficiência mental.  Menos freqüente que a infecção pelo HIV, o seu diagnóstico dá chance ao bebê de nascer saudável, livre de seqüelas. 

                Nesse contexto se insere o teste de HIV, já na rotina do pré-natal nos serviços públicos e consultórios particulares. Anualmente 2,5 a 3 milhões de mulheres ficam grávidas no Brasil. Dessas, estima-se, 0, 4% têm resultado positivo para HIV. São aproximadamente 12 mil a 13 mil gestantes por ano.

                Na reportagem Bebê saudável, a terceira da série Prevenção de HIV/Aids, especialistas detalharam a transmissão vertical e o que pode ser feito para evitá-la. 

                A leitora Vânia reagiu: "Será mesmo necessário toda gestante fazer o teste de HIV no pré-natal? Se há confiança recíproca entre os parceiros não é um exagero? Me parece terrorismo".

                Silmara, outra leitora, rebateu: "... Que garantia você tem de que nunca transou com alguém infectado? O mesmo pergunto em relação ao seu parceiro? Quem vê cara, não vê aids. Pelo visto você ainda acha que aids é coisa de homossexuais, usuários de drogas, prostitutas...”

                Desse debate, nasceu a idéia desta quarta matéria da série Prevenção de HIV/aids, não prevista inicialmente. O uso do terrorismo para que a pessoa se cuide pode realmente ser contraproducente para algumas; às vezes faz com que ajam no sentido inverso ao que se espera idealmente. Da mesma forma, o “isso não é comigo” também pode ser perigoso. O desafio é equilibrar o científico com o bom-senso.

                O teste de HIV no pré-natal é medida universal de saúde pública. É recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Não significa desconfiança. Nem do homem em relação à mulher, nem da mulher em relação ao homem. É uma necessidade de saúde frente a este novo momento.

                O teste dói? Não.

                É chato? Sim, por conta da expectativa que gera.

                Assim como é chato aguardar o resultado da mamografia e do exame Papanicolaou.  Nem por isso você deixa de fazê-los. Fazem parte avaliação periódica de saúde. No teste de HIV, especificamente, estão em jogo não só a saúde da futura mamãe mas a do bebê também, caso o resultado seja positivo. De cada 1.000, 4 são positivas. E a única forma de saber é por meio do teste. É gratuito e disponível em toda a rede pública de saúde assim como o tratamento.

                Por isso, trouxemos duas ginecologistas e obstretras muito especiais para “conversar” mais com vocês, mulheres e homens, leitores do Viomundo. Afinal, o assunto diz respeito a ambos. As duas já atuaram muito em serviço público – principalmente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP --, onde se formaram. Atualmente, trabalham mais no consultório particular.

                Uma delas é Fátima Duarte. Em 30 anos de profissão, já atendeu cerca de 50 mil mulheres de todos os níveis sociais e faixas etárias. A outra é Denise Lapa Pedreira, especialista em medicina fetal.

DOUTORA FÁTIMA: “NEM SEMPRE NOSSO ‘CONFIOMETRO’ FUNCIONA” 

                 “Dez anos atrás eu não pedia o teste de HIV para as minhas grávidas. Receava invadir-lhes a privacidade. Até que a Heloísa Marques, colega infectologista pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, fez um alerta para nós, ginecologistas/obstetras.

                -- Antes, eu tinha pena de vocês, obstetras, por não pedirem o teste de HIV no pré-natal; era desinformação – disse-nos, Heloísa, numa palestra -- Hoje, tenho raiva de vocês; o teste é disponível, gratuito e só traz benefícios.

                Na hora, achei que a Heloísa pegou pesado demais. Mas os indicadores médicos, a ciência, a lógica e a vida mudaram a minha conduta. O teste permite detectar a infecção do HIV. Se positiva, beneficia a gestante –  pode se tratar --, o bebê – tem enorme possibilidade de nascer saudável, não infectado pelo HIV – e o parceiro, que às vezes também não sabe que é HIV- positivo (veja os benefícios aqui ). 

                Mas confesso que foi um caso no consultório que me conscientizou de vez. Nessa época, eu já pedia o teste de HIV a todas as minhas gestantes. Um deles veio positivo. Gelei. Uma mulher casada, bonita, parceiro único, não usuária de drogas, como ela se infectou? Eu me perguntava e perguntei a ela, que também não sabia a resposta. Pela história, só poderia ter sido infectada pelo parceiro. Pedi o teste dele. Veio positivo. Ele não sabia que era HIV-positivo.

                Os dois se separaram. Tempos depois ele casou-se de novo, a mulher também engravidou. Como de praxe, pedi o teste de HIV dela. Deu positivo. Só que o sacana já sabia que era HIV-positivo e não contou para a parceira. Imperdoável.

                -- Ah, mas eu confio no meu parceiro...

                Tudo bem, ótimo. Confiança recíproca é fundamental para a vida a dois. Só que nenhuma de nós – inclusive, eu Fátima Duarte -- tem como saber se no passado o parceiro eventualmente infectou-se. Assim como eu e vocês também não sabemos se um dia transamos com alguém infectado pelo HIV. Como bem disse a Silmara, quem vê cara, não vê aids.

                Além disso, nem sempre o nosso “confiômetro” funciona, pois não é dotado de “bola de cristal”. Quando estamos apaixonadas, então nem se fala; “ele” geralmente entra em pane. Daí a necessidade do teste no pré-natal.  E o único jeito seguro de saber se a pessoa está infectada pelo HIV. Não há outro meio.

                Em se tratando do pré-natal, não é apenas a vida da mãe que está em jogo. É também a de pessoinhas, com poder zero de decisão. Mas que quando forem maiores questionarão: “Por que me roubaram a possibilidade de nascer sem HIV? O teste ou tratamento era indisponível? Ou meus pais acharam que não era preciso, pois não se achavam em risco?”

                Por tudo isso, recomendo: reflitam sobre isso com muito carinho." 

DOUTORA DENISE: “EU FARIA O TESTE, SIM”

                “Desde formada, sempre atuei no meio universitário. De modo que, quando começaram os casos de transmissão vertical, ou materno-infantil, eu estava ligadíssima. E logo que se comprovaram os benefícios do teste de HIV no pré-natal, eu comecei a pedir para as minhas grávidas. Naturalmente.

                Elas não sabiam, mas a minha experiência profissional me “obrigava” a pedir o teste. Era impressionante o quanto as mulheres estavam vulneráveis. Isso foi em 1996-1997. Nessa época, era eu quem fazia no Hospital das Clínicas de São Paulo o ultra-som morfológico de gestantes HIV-positivas. O AZT começava a ser usado, e o objetivo desse exame era saber se a medicação antirretroviral usada pela mãe era capaz de provocar má-formações nos fetos.

                Como o ultras-som demora uns 30 minutos, eu acabava conversando muito com essas mãezinhas. A maioria tinha pego aids em casa mesmo. O parceiro era usuário de drogas, bissexual ou havia saído com prostitutas, o que geralmente elas desconheciam. Muitas vezes a verdade só vinha à tona, quando ela, gestante, ao fazer o pré-natal, descobria que estava infectada pelo HIV.

                -- Doutora, meu marido pulava a cerca, eu nem desconfiava – muitas, chorando, me contaram.

                Tudo isso continua acontecendo.  A diferença é que hoje a solicitação do teste de HIV é tão normal que as mães já não nem perguntam mais pra gente por quê.  Fazem e pronto, pois estão conscientes dos benefícios.

                -- Mas, doutora, eu conheço bem o meu marido (namorado, ou parceiro)...Acho que não tenho menor risco de ter o risco...Eu sou obrigada a fazer?

                Bem, a decisão é sua e do seu parceiro. Ninguém pode obrigar você a fazer o teste. A única coisa que posso garantir é que, em seu lugar, eu faria o teste, sim. Sem pestanejar. No mínimo, questão de responsabilidade com a nova vida que está sendo gerada dentro de você.”

 ______________________________________________________________________________________________________________________ QUE É DIABETES

 Por: Antonio Monteiro - Escritor Queimadense

O diabetes é uma doença em que há aumento da glicemia (açúcar no sangue). Ocorre porque o pâncreas não produz insulina suficiente ou porqunão age de forma adequada no organismo.

 COMO SE DESENVOLVE O DIABETES?

         A glicose (açúcar) vem principalmente dos alimentos, mas o corpo também produz. Quando nos alimentamos,o pâncreas libera uma quantidade maior de insulina para permitir que a glicose que consumimos durante a refeição sirva como fonte de energia para o organismo, mantendo normais os níveis de açúcar no sangue. A insulina é um hormônio que age transformando a glicose do sangue (absorvida na alimentação) para dentro da cédula, para que sirva como fonte de energia. Trata-se de um hormônio essencial para a sobrevivência.  

 TIPOS DE DIABETES

        Os principais tipos de diabetes são:

 TIPO 1:

O pâncreas não produz insulina.

    

        Ocorre principalmente em crianças e adolescentes, mas adultos também podem ter esse tipo de diabetes.

        Geralmente são pessoas magras.

        O tratamento do diabetes tipo 1 é necessariamente feito com insulina.

 TIPO 2:

É o tipo mais freqüente de diabetes.

         A insulina produzida pelo pâncreas não é suficiente ou não age de forma adequada para diminuir a glicemia. É mais comum em adultos e em pessoas que têm familiares com diabetes.

        Está muito relacionado à obesidade e por isso vem atingindo pessoas cada vez mais jovens.

Inicialmente, o tratamento pode ser apenas com dieta e exercício físico, mas, como o tempo, serão necessários comprimidos, insulina ou associação dos dois.

 COMO SABER SE TENHO DIABETES?

  ATRAVÉS DE SINTOMAS COMO:

Muita sede

Urina em excesso

Muita fome

Cansaço

Perda de peso sem explicação

Visão embaçada

Coceira vaginal

Infecções urinárias freqüentes

Formigamentos, dormências e dores nas mãos, pernas e pés

 O DIABETES É DIAGNOSTICADO PELOS SEGUINTES RESULTADOS LABORATORIAIS:

 Glicemia após 8 horas de jejum: resultado igual ou maior que 126 mg/dL.*

Glicemia após 2 horas de ingestão de glicose (75 g): resultado igual ou maior que 200 mg/dL.**

Glicemia em qualquer momento: resultado igual ou maior que 200 mg/dL, com sintomas do diabetes.

Glicemia acima da normalidade (pré-diabetes):

*Glicemia de jejum: 100 a 125 mg/dL.

** Glicemia após ingestão de glicose: 140 a 200 mg/dL

 POR QUE CONTROLAR BEM O DIABETES?

         Quando o diabetes não é bem controlado, após alguns anos podem surgir problemas nos olhos, rins, nervos e vasos que chegam a prejudicar a visão, causar a perda da função renal, amputação de membros, infarto e derrame.

O bom controle do diabetes é fundamental para evitar tais complicações.

 COMO SABER SE ESTOU BEM CONTROLADO?

 Avaliação clínica: Ir ao médico, ao dentista e ao nutricionista.

Objetivos glicêmicos:*

- Glicemia antes das refeições                      Menor que 110 mg/dL

- Glicemia 2 horas após as refeições           Menor que 140 mg/dL

- HdA1c     (Hemoglobina glicada)                  Menor que 6,5%**

 * Fonte: metas definidas pela Sociedade Brasileira de Diabetes – Diretrizes SBD 2007.

** Ou até 1% acima do limite superior do método.

 Automonitorização: Realizar exame de ponta de dedo (glicemia capilar) e de urina, orientado pelo seu médico.

  QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DO BOM CONTROLE?

 Para garantir o bom controle do diabetes, além da glicemia, devemos:

 Manter a pressão arterial controlada, reduzir as chances de infarto e derrame.

Manter o colesterol controlado, evitando problemas do coração.

Manter o peso controlado, reduzindo as chances de desenvolvimento de outras doenças, com a hipertensão arterial, por exemplo.

  ALIMENTAÇÃO

         Uma alimentação equilibrada é aquela que contém todos os nutrientes – carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras vegetais e água.

LEMBRE-SE: Todo alimento contém açúcar. Por isso o controle sobre todos, e alimentar-se moderadamente. O diabético pode comer MACARRÃO, feijoada, lazanha, e, masasas em geral? SIM! Desde que uma vez na vida e em pouca quantidade. NÃO ESQUEÇER DE TOMAR O REMÉDIO logo depois.

 QUAL A DIFERENÇA ENTRE PRODUTOS DIET E LIGHT?

 Os produtos DIET são aqueles têm exclusão de algum nutriente, mais comumente o açúcar. São utilizados para dietas especiais, como, por exemplo, de pessoas com diabetes. Os alimentos LIGHT são assim chamados porque têm menor valor calórico em relação aos tradicionais. Em geral, 25% menos calorias. Essa redução pode ocorrer à custa de carboidratos, proteínas e, mais freqüentemente, de gorduras. CUIDADO COM PRODUTOS LIGHT!!! EM GERAL ELES CONTÉM AÇUCAR.

 Existem também produtos que são diet e light, ou seja, não têm açúcar, por exemplo, e são menos calóricos.

ATENÇÃO DIABÉTICO: Leia sempre o rótulo dos alimentos para identificar o tipo, a qualidade e a quantidade de nutrientes, bem como a quantidade de calorias e carboidratos. Nos produtos DIET está escrito: NÃO CONTÉM AÇUCAR.

  POR QUE FAZER EXERCÍCIO FÍSICO?

 O EXERCÍCIO FÍSICO PROPORCIONA

 Melhora do controle do diabetes, da hipertensão e do colesterol no sangue e, dessa forma, diminui o risco de infarto e derrame

Controle de peso

Melhora do bem-estar e da auto-estima

Controle do estresse.

 DENTRO DAS POSSIBILIDADES, ESCOLHA UMA ATIVIDADE FÍSICA PRAZEROSA.

         O ideal é acumular 30 minutos diários de exercício, mesmo que sejam 3 períodos de 10 minutos ou 150 minutos por semana.

         Consulte seu médico antes de iniciar qualquer atividade física.

 DICAS PARA EXERCÍCIO FÍSICO:

 1.    Use tênis confortáveis e meias esportivas.

2.    Hidrate-se bem antes e durante a atividade física.

3.    Não esqueça de levar o seu cartão de identificação e alimentos com açúcar, com bebidas isotônicas com açúcar, suco de fruta, balas, fruta frescas, etc.

4.    Antes e depois de uma atividade aeróbica com duração de 30 a 60 minutos, faça sempre de 5 a 10 minutos de alongamento.

5.    Antes de iniciar o exercício, faça o exame de ponta de dedo e, se o resultado estiver acima de 300 mg/dL, seja cauteloso em relação ao exercício. Se estiver abaixo de 100 mg/dL, coma alimentos ou líquidos com carboidratos.

6.    Pare o exercício se você sentir tontura, dor ou dificuldade de respirar.

 TRATAMENTO

 É FUNDAMENTAL A COMPREENSÃO DO TRATAMENTO:

            No diabetes tipo 1, como o pâncreas não produz insulina, e este é um hormônio essencial á vida, o tratamento é necessariamente com reposição de insulina.

                    Para o controle adequado são necessárias tanto uma insulina de ação lenta (controla a glicemia de jejum e entre as refeições) quanto uma insulina de ação rápida (controla a glicemia pós-prandial).        

            No tipo 2 há uma combinação de insuficiência de secreção de insulina pelo pâncreas com um aumento na resistência à sua ação.

                Alguns comprimidos agem aumentando a secreção de insulina. Outros, diminuindo a resistência à ação desse hormônio. Às vezes, o diabetes tipo 2 é descoberto por acaso e pode estar muito descompensado, já necessitando de insulina desde o início.    

            Inicialmente, o tratamento do diabetes tipo 2 pode ser apenas com dieta e exercício físico, mas, com o tempo, serão necessários comprimidos, insulina ou associação dos dois.

 Esse é o caminho natural do tratamento e usar insulina não significa piora ou agravamento do diabetes.

 COMPRIMIDOS (ANTIDIABÉTICOS ORAIS)

        Os comprimidos são freqüentemente usados em combinação com outros hipoglicemiantes, principalmente quando têm mecanismos de ação diferentes. Podem, também, ser associados à insulina.

 INSULINAS

         A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas. Por ser uma proteína, ela não pode ser ingerida via oral, pois, nesse caso, seria digerida pelas enzimas do aparelho digestivo.

         O número de pacientes com diabetes tipo 2, que necessitam de insulina é crescente em todo o mundo, já que é o medicamento de maior potência na redução da glicemia e, com o tempo, geralmente, seu uso torna-se necessário para a manutenção do bom controle glicêmico.

 HIPOGLICEMIA

         HIPOGLICEMIA É A QUEDA EXCESSIVA DO NÍVEL DE AÇÚCAR NO SANGUE. Pode levar à morte, caso não seja tratada imediatamente.

         Considera-se hipoglicemia quando os níveis de glicose no sangue ficam abaixo de 70 mg/dl.

         A aparição dos sintomas em geral é rápida, mas pode, eventualmente, ocorrer a hipoglicemia sem a apresentação de sintomas (hipoglicemia assintomática)

    

        A hipoglicemia é a complicação mais freqüente para pacientes com diabetes que utilizam medicamentos, sejam eles comprimidos ou insulina.

 CAUSAS DA HIPOGLICEMIA:

 ü Excesso de exercício físico

Falta de uma refeição regular ou fora do horário (O DIABÉTICO TEM QUE FAZER AS TRÊS REFEIÇÕES DIÁRIAS).

Pouca quantidade de alimentos

Vômitos ou diarréia

Uso de medicação que diminuam a glicemia

Consumo de bebidas alcoólicas 

 SINTOMAS DA HIPOGLICEMIA:

 Fome súbit

 Fadiga

Tremores

Tontura

Palpitação

Suores

Irritabilidade

Desorientação

Convulsões

Pele fria, pálida e úmida

Visão embaraçada ou dupla

Dor de cabeça

Dormência nos lábios e língua

Mudança de comportamento

 SUSPEITANDO DA OCORRÊNCIA DE HIPOGLICEMIA, DEVE-SE PROCEDER DA SEGUINTE FORMA:

     IMPORTANTE:

  1. Verifique a glicemia com o exame de ponta de dedo. É extremamente necessário ao diabético ter em casa o aparelho de medição do diabetes. Algumas marcas não chegam a R$ 100,00. Vale a pena tê-lo.
  1. Estando consciente, deve-se ingerir algum alimento rico em carboidrato, por exemplo 150 mL de suco de fruta (ex: suco de laranja) ou refrigerante (não diet), 3 balas de caramelo ou uma colher de sopa de açúcar. Verificar novamente a glicemia após 15 minutos e, caso a mesma não suba, deve-se ingerir mais alimentos com açúcar. Caso o paciente esteja inconsciente ou apresentar incapacidade de engolir alimentos, não tente alimentá-lo.
  1. É recomendado que o paciente, se inconsciente, seja levado imediatamente ao pronto-socorro mais próximo, informado ao médico o histórico do diabetes, os sintomas que a pessoa apresentou e o que foi até o momento. Nesta situação, ainda com o paciente em seu domicílio, pode ser administrado o glucagon por via intramuscular ou subcutânea, sempre conforme orientação médica prévia.
  1. No momento que o paciente recuperar a consciência, ele deve ingerir um alimento rico em carboidratos de absorção rápida (laranja, açúcar, etc.) e ficar em observação durante 24 horas.           

  DOENÇAS DIABÉTICAS DOS OLHOS

  • Use sempre o cartão de identificação: Tenho diabetes. Por quê? Caso o diabético passe mal na rua e seja levado inconsciente ao Pronto Socorro, o cartão será muito importante para salvar sua vida, pois, logo, os médicos, NÃO APLICARÃO O SORO GLICOSADO. O soro glicosado no diabético leva-o a óbito em pouco tempo.
  • Carregue balas ou tabletes de glicose para hiperglicêmicos leves.
  • Sempre que possível, confirme o diagnostico de hipoglicemia através da automonitorização.(Com o seu aparelho em casa, verifique como está a glicemia.)
  • Hipoglicemia noturnas podem se manifestar como pesadelos e gritos, além dos sintomas mencionados.

 As pessoas que correm o risco de desenvolver a doença diabética dos olhos devem fazer um EXAME DE FUNDO DE OLHO pelo menos uma vez por ano. A doença diabética dos olhos faz parte de um grupo de problemas que os diabéticos podem enfrentar como uma complicação dessas doenças.

A doença diabética dos olhos não apresenta nenhum sintoma nos primeiros estágios. A visão turva pode ocorrer quando o olho fica inchado. Diagnostico pode ser feito em exames regulares de dilatação dos olhos. Todos que estão no grupo de risco devem fazer exames oftalmológicos pelo menos uma vez por ano.

 ·         Retinopatia diabética - danos aos vasos sanguíneos da retina. A retinopatia diabética é a principal.

 GLAUCOMA

         Todos que têm risco de desenvolver glaucoma devem fazer exame oftalmológico pelo menos uma vez a cada dois anos. Em uma pesquisa de 2007, descobriu-se que dois quintos dos com mais de 40 anos não estão fazendo exames anualmente, embora o dobro de pessoas tenha mais medo da cegueira do que de ataques cardíacos.

    

    O glaucoma é uma doença oftalmológica que pode aumentar a pressão interna do olho. Se não for tratada, essa doença pode resultar em perda de visão ou cegueira. No glaucoma de ângulo aberto, a forma mais comum da doença, a pressão normal do fluido interno do olho aumenta progressivamente.

    

    Muitas pessoas que podem desenvolver glaucoma não sabem que um dos riscos é a cegueira. É um grupo de pessoas que Lions precisa atingir para fornecer informações de preservações da visão por meio de LEHP. Faça as seguintes perguntas a si mesmo e avalie seu “risco” de desenvolver glaucoma.

 HÁ UM HISTÓRICO DE GLAUCOMA NA SUA FAMÍLIA?

         O glaucoma é hereditário. Se algum de seus familiares já teve glaucoma, faça exames oftalmológicos.

 FATOS SOBRE DIABETES

 1.    Somente ataques cardíacos e câncer matam mais pessoas por ano do que diabetes.

2.    O diabetes é a principal causa de novos casos de cegueira em adultos.

3.    As mulheres têm maior possibilidade de desenvolver a diabetes Tipo 2 do que os homens.

4.    Além da cegueira, a diabetes pode causar doenças renais, ataques cardíacos, derrames, gangrena que leva à amputação da perna e outras complicações graves.

5.    Praticamente 90% das pessoas que desenvolve diabetes Tipo 2 são obesas. Em muitos casos, os sintomas da diabetes desapareciam se as pessoas perdessem peso.

6.    Os sintomas da diabetes Tipo 2 tendem a ser moderados. Aproximadamente 50% das pessoas que desenvolve diabetes Tipo 2 não sabem que tem a doença.

7.    A diabete diminui a chance de uma gravidez bem-sucedida e aumenta o risco de defeitos congênitos e de mortes de bebês.

8.    10% dos homens diabéticos tendem a se perder a libido, chegando até a perda da função erétil.

9.    Essa doença NÃO é causada devido à ingestão de muitos doces.

10.  Não tome remédios para disfunção erétil sem consultar seu médico endocrinologista e cardiologista. VIVA BEM COM DIABETES.

 CUIDADOS COM OS PÉS

         Os pacientes com diabetes devem ter um cuidado muito especial com seus pés.

        A hipoglicemia prolongada pode levar à perda de sensibilidade e prejuízo a circulação dos pés.

         Um paciente com menos sensibilidade nos pés pode, por exemplo, calçar um sapato com uma pedra e usá-lo durante o dia inteiro sem sentir dor, resultando em ferida.

    

    Isso é importante, pois, 8 em 10 pacientes que evoluem para amputação, inicialmente têm somente uma ferida.

 EXAMINE DIARIAMENTE OS PÉS

        A escolha de um calçado adequado e o exame cuidadoso dos pés são fundamentais. Use um espelho ou peça a ajuda de outras pessoas se tiver dificuldades para o exame. Procure calos, rachaduras, ressecamentos da pele, frieiras, bolhas e mudanças na cor da pele. Examine cuidadosamente entre os dedos.

 LAVANDO OS PÉS

        Lave os pés diariamente com água morna e sabão neutro. Nunca lave com água quente.

 CUIDADOS ESPECIAIS

        Não deixe seus pés de molho e não use bolsa de água quente. Seque bem os pés, principalmente entre os dedos e ao redor das unhas.

  COMO DEVO CUIDAR DOS PÉS?

 Passe creme hidratante nas pernas e nos pés. Não passe entre os dedos.

Não use esparadrapo, talco ou spray nos pés.

Não corte os calos nem use produtos para retirá-los.

Corte as unhas com tesoura apropriada, em linha reta e evite deixá-las muito curtas.

Não retire cutículas e cantos das unhas.

Use calçados fechados, macios, sem costura interna e confortáveis.

Compre sapatos sempre no fim do dia, quando os pés estão mais inchados. Assim, evita-se que eles fiquem apertados depois.

Evite sandálias, calçados apertados de bico fino e salto alto.

Antes de calçar meias e sapatos, verifique se não há nada dentro deles, como pedras, pregos ou furos.

Não ande descalço nem dentro de casa.

Quando indicado, use palmilhas, diariamente, durante todo o tempo.

Use meias de algodão sem costura, sem elástico, que não apertem e troque diariamente.

 IMPORTANTE:

Caso haja qualquer alteração nos seus pés, procure o seu médico ou a enfermeira do local onde você faz acompanhamento do diabetes. Solicite ao profissional que examine seus pés a cada consulta.

 CUIDADOS NECESSÁRIOS

 VIAGEM

    

        Em caso de viagem, converse antes com seu médico, oriente-se e programe-se para o tempo e as peculiaridades do local aonde vai.

 Previna-se e leve consigo a receita média com as medicações em uso. Medicamentos, glicosímetro, alimentos para corrigir a hipoglicemia e água para beber devem ser levados na bagagem de mão.

 RINS

        A pesquisa de proteína nos rins (microalbumunária) também deve ser realizada pelo menos uma vez por ano, conforme a orientação médica.

 FEBRE OU INFECÇÃO

        Em caso de febre ou infecção aguda, continue com a sua medicação. Aumente a monitorização, pois pode ser necessária uma mudança no tratamento durante um período como esse. Converse sempre com o seu médico.

 DENTES

Cuide com muita atenção dos seus dentes.

Vá ao dentista regularmente.

Escove bem os dentes após as refeições.

Qualquer inflamação na gengiva, procure imediatamente o seu médico.

OLHOS

Vá ao oftalmologista pelo menos uma vez ao ano.

 ALIMENTAÇÃO NA ESCOLA

        Mande a quantidade necessária de alimentos que seu filho precisará na escola. Se a escola tiver uma cantina, certifique-se que os alimentos servidos são saudáveis.

 CASO SINTA-SE MAL...

  DIABETES GESTACIONAL

  1. Analise se os sintomas são compatíveis com hipoglicemia e, se possível, faça o exame de ponta de dedo (glicemia capilar).
  2. Na presença de hipoglicemia proceda conforme sugere no capítulo HIPOGLICEMIA.
  3. Avise o professor que tanto pode chamar os pais como pode aprender o que fazer nestas condições. De qualquer forma é preferível que os pais já tenham informado os professores sobre como ajudar você quando se sentir mal. Desta forma será possível auxiliá-lo mais rápido e evitar as situações mais graves.

        O diabetes gestacional se dá quando a elevação das taxas de açúcar no sangue acontece pela primeira vez durante a gravidez. A futura mamãe pode ter uma gestação tranqüila principalmente se ela receber o diagnóstico precocemente, associado ao acompanhamento médico durante a gravidez e após o nascimento do bebê.

 POR CONTA DOS POSSÍVEIS RISCOS É FUNDAMENTAL:

        Exames para checar a taxa de açúcar no sangue durante o pré-natal (o rastreamento do diabetes deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gestação).

    

    Mulheres que integram o grupo de risco do diabetes devem fazer o teste de tolerância glicêmica já a partir de 12ª semana de gestação.

 CUIDADOS NA GRAVIDEZ

Alguns cuidados devem ser tomados após o diagnóstico do diabetes gestacional.

 Entre eles:

 Alimentação e atividades físicas: é importante manter uma terapia nutricional saudável e adequada, de preferência sob a orientação de um profissional capacitado. Além de manter a glicemia dentro dos valores recomendados pelo médico, o peso deve ser acompanhado e exercícios leves como caminhada são incentivados.

 Terapia insulínica: é uma alternativa de tratamento quando somente a mudança de hábitos de vida não leva a glicemia aos níveis desejados. A necessidade de aumento das doses de insulina é comum ao final da gravidez (terceiro trimestre) visto que a resistência à insulina é maior neste período.

O diabetes tende a desaparecer ao final da gravidez, mas existe um risco destas pacientes terem diabetes novamente em futuras gestações e até mesmo de se tornarem portadoras de diabetes com o passar dos anos.

*Eu sou diabético há 17 anos E VIVO MUITO BEM. Nestas páginas tentei passar às pessoas, a minha experiência com o diabetes, e as pesquisas realizadas em alguns laboratórios. Portanto, NÃO DÊ CHANCE A ESSA DOENÇA. Todas às vezes que visitar um médico, peça-o o exame de GLICEMIA. Não seja surpreendido com o DIABTES já instalado em sua vida. NÃO SOFRA TANTO COM O DIABETES. É possível, sim, VIVER BEM COM O DIABETES.

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BLOG DA SAÚDE
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Prevenção de HIV/aids: de todo o coração

por Conceição Lemes (Viomundo.com.br)

                Testes para hepatite, sífilis, toxoplasmose, hemograma, urina tipo 1 e HIV fazem parte do “pacote” dos exames do pré-natal. Todos são indispensáveis para garantir a saúde da gestante e do seu futuro neném.

                A sífilis não tratada, por exemplo, é a primeira causa de aborto depois de 20 semanas de gravidez. Pode causar também má-formação do feto, cegueira, problemas ósseos, surdez e deficiência mental.  Menos freqüente que a infecção pelo HIV, o seu diagnóstico dá chance ao bebê de nascer saudável, livre de seqüelas. 

                Nesse contexto se insere o teste de HIV, já na rotina do pré-natal nos serviços públicos e consultórios particulares. Anualmente 2,5 a 3 milhões de mulheres ficam grávidas no Brasil. Dessas, estima-se, 0, 4% têm resultado positivo para HIV. São aproximadamente 12 mil a 13 mil gestantes por ano.

                Na reportagem Bebê saudável, a terceira da série Prevenção de HIV/Aids, especialistas detalharam a transmissão vertical e o que pode ser feito para evitá-la. 

                A leitora Vânia reagiu: "Será mesmo necessário toda gestante fazer o teste de HIV no pré-natal? Se há confiança recíproca entre os parceiros não é um exagero? Me parece terrorismo".

S                ilmara, outra leitora, rebateu: "... Que garantia você tem de que nunca transou com alguém infectado? O mesmo pergunto em relação ao seu parceiro? Quem vê cara, não vê aids. Pelo visto você ainda acha que aids é coisa de homossexuais, usuários de drogas, prostitutas...”

                Desse debate, nasceu a idéia desta quarta matéria da série Prevenção de HIV/aids, não prevista inicialmente. O uso do terrorismo para que a pessoa se cuide pode realmente ser contraproducente para algumas; às vezes faz com que ajam no sentido inverso ao que se espera idealmente. Da mesma forma, o “isso não é comigo” também pode ser perigoso. O desafio é equilibrar o científico com o bom-senso.

                O teste de HIV no pré-natal é medida universal de saúde pública. É recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Não significa desconfiança. Nem do homem em relação à mulher, nem da mulher em relação ao homem. É uma necessidade de saúde frente a este novo momento.

                O teste dói? Não.

                 É chato? Sim, por conta da expectativa que gera.

                Assim como é chato aguardar o resultado da mamografia e do exame Papanicolaou.  Nem por isso você deixa de fazê-los. Fazem parte avaliação periódica de saúde. No teste de HIV, especificamente, estão em jogo não só a saúde da futura mamãe mas a do bebê também, caso o resultado seja positivo. De cada 1.000, 4 são positivas. E a única forma de saber é por meio do teste. É gratuito e disponível em toda a rede pública de saúde assim como o tratamento.

P                or isso, trouxemos duas ginecologistas e obstretras muito especiais para “conversar” mais com vocês, mulheres e homens, leitores do Viomundo. Afinal, o assunto diz respeito a ambos. As duas já atuaram muito em serviço público – principalmente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP --, onde se formaram. Atualmente, trabalham mais no consultório particular.

                Uma delas é Fátima Duarte. Em 30 anos de profissão, já atendeu cerca de 50 mil mulheres de todos os níveis sociais e faixas etárias. A outra é Denise Lapa Pedreira, especialista em medicina fetal.

                DOUTORA FÁTIMA: “NEM SEMPRE NOSSO ‘CONFIOMETRO’ FUNCIONA”


                “Dez anos atrás eu não pedia o teste de HIV para as minhas grávidas. Receava invadir-lhes a privacidade. Até que a Heloísa Marques, colega infectologista pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, fez um alerta para nós, ginecologistas/obstetras.

                -- Antes, eu tinha pena de vocês, obstetras, por não pedirem o teste de HIV no pré-natal; era desinformação – disse-nos, Heloísa, numa palestra -- Hoje, tenho raiva de vocês; o teste é disponível, gratuito e só traz benefícios.

                Na hora, achei que a Heloísa pegou pesado demais. Mas os indicadores médicos, a ciência, a lógica e a vida mudaram a minha conduta. O teste permite detectar a infecção do HIV. Se positiva, beneficia a gestante –  pode se tratar --, o bebê – tem enorme possibilidade de nascer saudável, não infectado pelo HIV – e o parceiro, que às vezes também não sabe que é HIV- positivo (veja os benefícios aqui ). 

                Mas confesso que foi um caso no consultório que me conscientizou de vez. Nessa época, eu já pedia o teste de HIV a todas as minhas gestantes. Um deles veio positivo. Gelei. Uma mulher casada, bonita, parceiro único, não usuária de drogas, como ela se infectou? Eu me perguntava e perguntei a ela, que também não sabia a resposta. Pela história, só poderia ter sido infectada pelo parceiro. Pedi o teste dele. Veio positivo. Ele não sabia que era HIV-positivo.

                Os dois se separaram. Tempos depois ele casou-se de novo, a mulher também engravidou. Como de praxe, pedi o teste de HIV dela. Deu positivo. Só que o sacana já sabia que era HIV-positivo e não contou para a parceira. Imperdoável.

                -- Ah, mas eu confio no meu parceiro...

                Tudo bem, ótimo. Confiança recíproca é fundamental para a vida a dois. Só que nenhuma de nós – inclusive, eu Fátima Duarte -- tem como saber se no passado o parceiro eventualmente infectou-se. Assim como eu e vocês também não sabemos se um dia transamos com alguém infectado pelo HIV. Como bem disse a Silmara, quem vê cara, não vê aids.

                Além disso, nem sempre o nosso “confiômetro” funciona, pois não é dotado de “bola de cristal”. Quando estamos apaixonadas, então nem se fala; “ele” geralmente entra em pane. Daí a necessidade do teste no pré-natal.  E o único jeito seguro de saber se a pessoa está infectada pelo HIV. Não há outro meio.

                Em se tratando do pré-natal, não é apenas a vida da mãe que está em jogo. É também a de pessoinhas, com poder zero de decisão. Mas que quando forem maiores questionarão: “Por que me roubaram a possibilidade de nascer sem HIV? O teste ou tratamento era indisponível? Ou meus pais acharam que não era preciso, pois não se achavam em risco?”

                Por tudo isso, recomendo: reflitam sobre isso com muito carinho." 

DOUTORA DENISE: “EU FARIA O TESTE, SIM”


                “Desde formada, sempre atuei no meio universitário. De modo que, quando começaram os casos de transmissão vertical, ou materno-infantil, eu estava ligadíssima. E logo que se comprovaram os benefícios do teste de HIV no pré-natal, eu comecei a pedir para as minhas grávidas. Naturalmente.

                Elas não sabiam, mas a minha experiência profissional me “obrigava” a pedir o teste. Era impressionante o quanto as mulheres estavam vulneráveis. Isso foi em 1996-1997. Nessa época, era eu quem fazia no Hospital das Clínicas de São Paulo o ultra-som morfológico de gestantes HIV-positivas. O AZT começava a ser usado, e o objetivo desse exame era saber se a medicação antirretroviral usada pela mãe era capaz de provocar má-formações nos fetos.

                Como o ultras-som demora uns 30 minutos, eu acabava conversando muito com essas mãezinhas. A maioria tinha pego aids em casa mesmo. O parceiro era usuário de drogas, bissexual ou havia saído com prostitutas, o que geralmente elas desconheciam. Muitas vezes a verdade só vinha à tona, quando ela, gestante, ao fazer o pré-natal, descobria que estava infectada pelo HIV.

                -- Doutora, meu marido pulava a cerca, eu nem desconfiava – muitas, chorando, me contaram.

                Tudo isso continua acontecendo.  A diferença é que hoje a solicitação do teste de HIV é tão normal que as mães já não nem perguntam mais pra gente por quê.  Fazem e pronto, pois estão conscientes dos benefícios.

                -- Mas, doutora, eu conheço bem o meu marido (namorado, ou parceiro)...Acho que não tenho menor risco de ter o risco...Eu sou obrigada a fazer?

                Bem, a decisão é sua e do seu parceiro. Ninguém pode obrigar você a fazer o teste. A única coisa que posso garantir é que, em seu lugar, eu faria o teste, sim. Sem pestanejar. No mínimo, questão de responsabilidade com a nova vida que está sendo gerada dentro de você.”

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Prevenção de HIV/aids: sexo oral e beijo
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Deu no blog do Azenha (www,viomundo.com.br)

09/05/2009

 por Conceição Lemes

        Estimativas do Ministério da Saúde indicam que existem atualmente no Brasil cerca de 630 mil pessoas vivendo com o HIV. Dessas, 255 mil nunca fizeram o teste anti-HIV. Portanto, a maioria dos infectados ainda desconhece a sua condição sorológica.

        O diagnóstico da infecção pelo HIV é fundamental. Quanto mais precoce, melhor. Permite o inicio do tratamento antes do aparecimento dos sintomas da doença. Melhora, assim, a duração e a qualidade de vida após o diagnóstico e reduz a possibilidade de transmitir o vírus para outras pessoas.

        O tempo de incubação da doença sem tratamento varia, em média, de 4 a 8 anos. Durante esse período, o indivíduo é soropositivo, ou seja, apenas portador do vírus. Porém, à medida que HIV destrói o sistema de defesas do organismo, certas infecções e tumores se aproveitam da baixa imunidade e se manifestam. É a aids: ainda não tem cura nem vacina. Porém, com o tratamento adequado, é possível viver durante muitas décadas e ter vida praticamente normal.

        A realização do teste para o HIV durante a gestação também é fundamental. Possibilita o diagnóstico e o tratamento de mães infectadas, e a adoção de outras medidas profiláticas durante, antes e depois do parto. Dessa forma, aumenta muito a chance de os seus bebês nascerem sem o vírus.

        Dessa necessidade de saúde pública nasceu a reportagem Teste de HIV: você já fez?  Vários comentários postados eram questões sobre prevenção. A demanda nos levou a propor na matéria Tem dúvida sobre prevenção de HIV/Aids? que vocês formulassem todas perguntas que gostariam que fizéssemos a especialistas da área.

        "Apesar de muitos medos terem sido superados pelo conhecimento da informação, crenças e valores culturais em relação ao HIV/aids não se traduzem em práticas preventivas", observa o sociólogo Ivo Brito, coordenador da Unidade de Prevenção do programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. "Só a informação continuada vai diminuir essas crenças e fazer com que mais e mais pessoas tomem decisões racionais e se protejam adequadamente."

        O resultado é a série Prevenção de HIV/Aids, que o Viomundo começa a publicar hoje. São quatro reportagens. Participam desta primeira: o médico infectologista Marco Antônio de Ávila Vitória, do corpo técnico do Departamento de HIV da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça; o médico epidemiologista Francisco Inácio Bastos, pesquisador sênior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro; e a psicóloga e mestre em saúde pública Dulce Ferraz, assessora técnica da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde.

Viomundo Afinal, quais as maneiras cientificamente comprovadas de  transmissão do HIV? 
        Dulce Ferraz -- O HIV pode ser transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno.  Ou seja, há três formas: 1) sexual -- quando ocorrem relações sexuais desprotegidas, ou seja, sem uso de camisinha; 2) vertical – a mãe HIV-positiva pode passar o vírus para o bebê, durante gestação, parto ou amamentação; 3) sanguínea – por compartilhamento de agulhas, seringas e e transfusão sangue ou hemoderivados  contaminados. No Brasil, a transmissão por transfusão de sangue é raríssima, pois, desde 1988, todo sangue a ser transfundido é testado. Uso de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados também podem transmitir o HIV.

Viomundo -- Sexo oral tem risco de infecção pelo HIV? O risco é menor ou igual ao sexo vaginal?
        Marco Vitória -- Há risco de infecção pelo HIV em toda forma de relação sexual que houver troca de fluidos corporais contaminados. Portanto, a transmissão do HIV e de outras DST pode ocorrer pelo sexo oral. Porém, alguns estudos sugerem que o risco de transmissão pelo sexo oral é muito inferior em comparação à possibilidade de transmissão por relações anais ou vaginais. Porém, é difícil saber a quantificação exata desse risco e estudar essa forma de transmissão isoladamente. Obviamente, o risco é maior quando: 1) quando existem feridas ou processo inflamatório na boca que facilitem a contaminação - por exemplo, gengivites e estomatites; 2) há sangue misturado às secreções genitais - por exemplo, na menstruação; 3) se tem contato oral com úlceras na região oral, genital ou anal causadas por outras doenças sexualmente transmissíveis já existentes.

Viomundo – O leitor que assina Cidadão II pergunta: Queria saber se o sexo oral é saudável, mesmo com a ingestão do esperma? Quais prevenções e medidas que temos que tomar devido à contaminação dos vírus HIV e de outras DSTs [Doenças sexualmente transmissíveis]?
        Marco Vitória -- A ingestão de esperma por si só não transmite o HIV, que é facilmente inativado pelo suco gástrico quando deglutido. Porém, existem casos raros documentados na literatura médica de transmissão pela prática de sexo oral em homens infectados pelo vírus da aids. Ferimentos ou processos inflamatórios significativos na boca parecem ter sido a provável porta de entrada.  O risco parece ser teoricamente maior quando há ejaculação dentro da boca. Já muitas outras DSTs - por exemplo, gonorréia clamídia, herpes vírus, HPV [papilomavírus humano] e sífilis - podem ser facilmente transmitidas pelo sexo oral. Para reduzir o risco eventual de transmissão dessas doenças pelo sexo oral há dois métodos: 1) uso de camisinha e de protetor lingual à base de látex ou filme plástico; 2) evitar contato oral com lesões ou ferimentos nas regiões oral, genital e anal.

Dica deste blog: Nos sabores morango, uva e maça-verde, a camisinha aromatizada é a mais recomendada para o sexo oral -- boca-pênis, boca-ânus e boca-vagina. No caso das duas últimas práticas, adapte o preservativo masculino para utilizá-lo. Assim, você evita contato com as secreções do (a) parceiro (a). Desenrole o preservativo. Extraia a bainha, ou anel – aquela parte enroladinha. Abra. O preservativo vira um retângulo. Esse retângulo é que se introduz entre a boca e o ânus ou entre a boca e a vagina.

Viomundo - A pergunta é do leitor Gerson: soropositivo masculino que faz sexo oral no parceiro pode infectá-lo?
        Francisco Bastos
- Se a pessoa infectada pelo HIV coloca a sua boca no pênis do parceiro que é não tem o vírus, não há nenhum risco para o soronegativo.  A saliva não transmite o HIV.

iomundo - Há riVsco de se pegar o HIV tomando água no mesmo copo de uma pessoa infectada?
        Dulce Ferraz
- Risco zero. Assim como não existe nenhum risco em compartilhar talheres, cigarro, prato, sabonete, toalha, lençóis, piscina, banheiros, assento de ônibus. Também não existe risco no aperto de mão, abraço, beijo no rosto e beijo na boca.

Viomundo – Há algum caso documentado de transmissão por beijo?  
        Dulce Ferraz – Não há evidências de transmissão do HIV pelo beijo. Para que houvesse essa possibilidade de transmissão, lesão grave de gengiva e sangramento na boca seriam necessários. O HIV pode ser encontrado na saliva.  Porém, substâncias presentes na saliva os destroem.

Viomundo - O leitor Athos Rache diz: Pelo que sei/lembro há apenas um caso documentado de transmissão pela boca. Um epiléptico teve um ataque e ao ser socorrido por uma pessoa (sua língua estava enrolando), acabou mordendo a mão de seu socorrista que contraíu o vírus. Isso é verdade?
Dulce Ferraz
-- Não temos  registro deste caso; essa forma de infecção é improvável. 
 
Viomundo  -- O leitor Roberto insiste: se um dos parceiros tiver algum machucadinho na boca e o outro for HIV-positivo, o beijo de língua pode transmitir o vírus da aids, não pode?
        Francisco Bastos - A saliva contém o vírus da aids, mas não em concentrações que permitam a sua transmissão para outra pessoa. Consequentemente, a troca de saliva não envolve risco algum.  A única possibilidade de risco seria se a pessoa negativa tivesse uma ferida aberta e extensa na boca e a outra infectada estivesse sangrando em abundância. Tal situação, convenhamos, é improvável. A pessoa sangrando muito se sente tão desconfortável, que não teria vontade de beijar a outra. Já um sangramento pequeno faria com que o sangue diluísse, tornando muito baixa a quantidade de partículas virais na saliva.  Em termos práticos, portanto, o risco de transmissão do HIV pelo beijo de língua é zero.

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12/05/2009

Por trás da febre suína

Por Marcos P.B.

Gripe suína expõe outra tragédia

        O jornalista Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, e, no último domingo, o jornal Washington Post divulgaram suspeitas graves sobre o surto de gripe suína e que, por alguma razão, não eram citadas nas notícias da nossa mídia. As suspeitas referem-se às denúncias feitas há anos por comunidades mexicanas afetadas por unidades industriais que operam com lagoas de excremento e urina, de mais de um milhão de porcos, que contaminam os lençóis freáticos da região.

Argemiro Ferreira

        Quando da mudança do nome da gripe suína para Gripe-A, há uma semana, o jornalista Mauro Santayana, em sua coluna do Jornal do Brasil, divulgou dados relevantes e suspeitas graves que, por alguma razão, não eram citados nas notícias de nossa mídia. No último domingo eles afinal chegaram também à primeira página do jornal Washington Post, destacados em três colunas.

        da cidade de La Gloria, no México, onde fica gigantesca fazenda de criação de porcos, a reportagem de Steve Fainaru, da editoria internacional do Post, referiu-se às denúncias feitas há anos por comunidades afetadas por unidades industriais como aquela, sobre os efeitos das lagoas de excremento e urina, de mais de um milhão de porcos, que contaminam os lençóis freáticos da região.

        No segundo parágrafo da reportagem o jornal ressalvou que “as autoridades de saúde não encontraram conexão entre as granjas de criação de porcos e a gripe suína”. E as autoridades da Organização Mundial da Saúde fizeram mais do que isso, como Santayana registrara. Aparentemente sob pressão das multinacionais de porcos, inventaram o nome novo - e neutro - para distanciar os porcos da doença.

        Desde o primeiro momento o artifício lembra o complô da indústria de cigarro, durante mais de meio século, para negar a conexão entre seu produto e o câncer. A indústria negava haver “prova conclusiva”. É o se faz agora, segundo o Post. Atribuiu-se ao prefeito de Perote, sede do condado onde fica La Gloria, esta afirmação: “Para desfazer o mito, ou mesmo para reconhecê-lo como realidade, precisamos de mais estudos”.

Como o NAFTA abriu o caminho

        Segundo o prefeito Guillermo Franco Vázquez, na jurisdição do condado há 22 comunidades afetadas por tais fazendas. La Gloria é uma delas, no estado de Veracruz, sudeste do país. “Desde o final de março, quando misteriosa doença respiratória infectou 616 residentes, tornou-se o centro da crise da gripe suína”. O primeiro caso do novo vírus, tinha relatado Santayana, foi Edgar Hernández, de 4 anos.

        Como boa parte dos dados da reportagem do jornal dos EUA já estava a 6 de maio na coluna do jornalista brasileiro, é estranho ter ficado fora dos jornais. Em especial o que já se sabe sobre a companhia Granjas Carroll de Mexico, dona das fazendas de porcos - e subsidiária da corporação transnacional Smithfield Foods, sediada no estado da Virgínia e cujos dirigentes negaram-se a falar ao Post.

        Santayana citou declaração do deputado mexicano Atanasio Durán, segundo a qual as Granjas Carroll foram expulsas de dois estados americanos, Virginia e Carolina do Norte, devido aos danos ambientais que causavam. A salvação para elas foi o NAFTA, Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Graças ao tratado, as Carroll foram transferidas em 1994 para o país vizinho, com apoio do governo mexicano.

        O NAFTA permitiu à corporação transnacional dos EUA ficar fora do controle das autoridades do México - detalhe que encorajou a transferência. O jornalista destacou: “É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a padridão que mata”. Mesmo assim, a reportagem do Post destaca: as relações agora entre a Smithfield e os residentes das comunidades próximas tornaram-se insustentáveis.

        Os protestos da população afetada repetem-se desde 2007. Manifestações às vezes até bloqueiam uma rodovia federal na região. E a resposta da Smithfield/Carroll consistiu em mobilizar a própria polícia local contra os manifestantes, alguns dos quais são alvos de processos criminais instigados pela transnacional. Um pequeno fazendeiro de 66 anos contou ao Post ter sido obrigado a vender sua plantação de milho para pagar sua defesa.

Prisão para punir as vítimas

        Bertha Crisostomo, autoridade municipal de La Gloria citada no Post e na coluna de Santayana, foi acusada pela Smithfield. Atualmente está em liberdade sob fiança. Em fevereiro ela denunciara a contaminação do subsolo pelos tanques de urina e excrementos da Carroll. Hoje ela acha que a companhia escolhe certos alvos deliberadamente - parte de um processo de intimidação para silenciar os descontentes.

        Assim, a gravidade da gripe suína - ou Gripe-A, Influenza-A, ou que nome tenha - está servindo para amplificar um problema que já era sério para os residentes da área e continua a crescer devido à expansão da atividade da transnacional, ameaçando ainda mais a saúde e o meio ambiente. Apesar de favorável a investimentos na região, Crisostomo acha que não se pode negociar com a saúde das pessoas.

        A julgar pelo que relatou o Post, a posição das autoridades mexicanas parece ambígua. Originalmente a Smithfield chegou como uma joint venture com a mexicana Agroindustrias Unidas, trazendo o método da “integração vertical” - que amontoa milhares de porcos em estábulos idênticos cobertos por telhados de metal. Ali os porcos comem, crescem, urinam e defecam - até serem mortos.

        Excrementos e urina são captados e seguem em condutos para depósitos-tanques a céu aberto do tamanho de dois campos de futebol - chamados pela companhia de “lagoas”. Alega-se que são à prova de vazamento, mas os residentes contestam. Instalações agroindustriais desse tipo, em larga escala, são riscos graves para a saúde da população porque podem contaminar os lençóis freáticos e transmitir vírus, inclusive novos.

Uma batalha sempre desigual

        Pessoas da região queixam-se há anos de doenças de pele, garganta inflamada e outros efeitos. As “lagoas” são abertas e sem cercas, de cor avermelhada, opaca. O mau cheiro faz as pessoas se sentirem tão mal que mal conseguem comer. As 16 fazendas da Smithfield na área produzem, segundo a própria companhia, um milhão e 200 mil porcos por ano.

        Fazendas podem surgir da noite para o dia, a poucas centenas de metros de casas habitadas por famílias da área. Como contou ao Post o fazendeiro Fausto Limón, que planta soja e milho. “Nunca pensamos que iriam criar uma aqui perto, mas vieram. Então começamos a vomitar, ter dores de cabeça, olhos lacrimejantes. Tivemos de sair à procura de outro lugar, longe daquele mau cheiro”.

        Outro efeito é a praga dos cachorros que se alimentam de restos de porcos mortos descartados nas proximidades das instalações. Além disso, sempre há pedaços espalhados. Quando Limon soube que se planejava a instalação de outra fazenda perto de sua casa, não teve dúvida: uniu-se a outros residentes e organizou mais um grupo ativista Pueblos Unidos, atuantes na região.

        É principalmente contra os Pueblos Unidos - cuja ação parece semelhante à dos Sem Terra do Brasil - que a Smithfield/Carroll atua, mobilizando como pode a polícia e a Justiça, graças a seus largos recursos e um exército de advogados. Estes, com a certeza de que são imbatíveis, movimentam-se com desembaraço também junto às autoridades nos vários níveis - local, estadual e federal.

fonte:
Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15984

boca no Trombone
http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com/2009/05/gripe-suina-expoe-outra-tragedia.html

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BLOG DA SAÚDE  ______________________________________________________________________________________________________________________________

04-05-2009

Por    (*) Antonio Cezar A. Barbosa

Armadilha letal para mosquito da dengue

             Prevenir a dengue deve ser uma obrigação de cada cidadão. Não deixar pneus, embalagens e recipientes acumulando água é a maneira mais importante para evitar a proliferação de mosquitos, inclusive dos Aedes aegypti. Com uma simples garrafa pet de um e meio a dois litros, é possível fazer uma armadilha que retira do ambiente as futuras gerações de mosquitos.

            Construir uma Mosquitoeira genérica – mosquitérica- é muito simples. O segredo é a motivação para executar as etapas apresentadas a seguir. Depois de pronta, ela vai atrair as fêmeas de mosquitos para depositarem seus ovos naquela maternidade. Os ovos ficam fixados na borda interna da tampa da mosquitérica, pouco acima da lâmina dágua

            Como a água evapora muito rápido na mosquitérica, as fêmeas depositam os ovos cada vez mais abaixo e quando você completar o nível da água, os ovos serão encharcados. As larvas de Aedes aegypti que eclodirem desses ovos ficarão presas dentro da mosquitoeira e assim permanecem durante todas as suas formas de vida: larva, pupa e adulto alado.

            1. Materiais: uma garrafa pet de 1,5 a dois litros; uma tesoura; uma lixa de madeira nº 180; um rolo de fita isolante preta; um pedaço (5 x 5 cm) de tecido chamado micro tule,; quatro grãos de alpiste ou uma pelota de ração felina;

            2. Tire a tampa da garrafa e, com um jeitinho especial, remova o anel do lacre da tampa, sem danificá-lo. Reserve este lacre; ele será usado como componente da sua mosquitérica;

            3. A próxima etapa é cortar a garrafa em duas partes. Antes de iniciar o corte, amasse a garrafa até obter uma dobra. Com o plástico dobrado fica mais fácil cortá-lo. Agora, use esse corte como furo para posicionar a tesoura e cortar o restante da garrafa; Uma das partes vai servir de copo e a outra, como um funil, será a tampa;

            4. Agora você vai lixar toda a superfície da tampa, que corresponde à face interna da boca do funil, até torná-la completamente áspera e fosca (lixe sempre no sentido único, da boca do gargalo, para o funil, no fundo). Essa peça constituirá a tampa da mosquitoeira;

            5. Corte o micro tule (5cm X 5cm) e cubra a boca da garrafa. Use o anel do lacre que você guardou como presilha. Esta fase exige o jeitinho especial, pois é necessário forçar a presilha para alcançar, pelo menos, a segunda volta da rosca.

            6. Para estabelecer a altura ideal do nível da água na mosquitérica é preciso encaixar a tampa, com o bico para baixo, dentro do copo. Identifique, de cima para baixo, o intervalo de altura que vai da boca do copo até o fundo fosco da tampa. O ponto médio desse intervalo deve ser considerado como a altura do nível da água na sua mosquitoeira. Marque esse nível com um pedaço de fita isolante, bem fino, como se fosse uma linha, colada pelo lado de fora do copo Essa marca também delimitará o espaço de ar que ficará acima da água, entre as duas peças da mosquitérica.

            7. Chegou a hora de começar a montagem da mosquitérica: acrescente água no copo, de forma que fique uma camada aérea de 3 a 4 cm (da boca do copo para baixo)l; coloque o alimento (quatro sementes de alpiste ou uma pelota de ração felina triturados dentro d’água; posicionar a tampa, de maneira simétrica, com o bico para baixo e então vede as duas partes da mosquitérica, usando fita isolante. Use a fita isolante para fixar as duas peças da mosquitérica e, ao mesmo tempo, vedar o espaço entre a borda do copo e a face externa da tampa. Pronto! Complete com água até o nível marcado com a tirinha de fita isolante.

            8. Coloque a armadilha em local fresco e sombreado. Após uma semana, verifique a altura da coluna de água. Se estiver abaixo do nível, complete-a. Com o nível da água mais alto, os ovos que foram depositados na superfície áspera da tampa ficarão dentro d’água e, em poucos dias, será possível visualizar larvas de mosquitos nadando na parte inferior da mosquitérica

De agora em diante, observe-a todos os dias, acrescentando água à medida que esta for evaporando. As larvas se alimentarão dos micróbios presentes na água, que são alimentados pelos grãos ou sementes adicionadas. Os ovos eclodem, no estágio 1, e crescerão passando pelos estágios 2, 3 e 4, até se transformarem em pupas. Estas, por metamorfose, se transformarão na forma alada de mosquito (no caso da mosquitérica, os mosquitos que chegarem a esta fase, morrerão afogados dentro da armadilha).

            9. Você pode saber se as larvas que apareceram são da espécie Aedes aegypti da seguinte maneira: usando o foco de luz de uma lanterna, ilumine as larvas presas dentro da mosquitérica. Se as larvas, lá presentes, fugirem da luminosidade, elas são Aedes aegypti. Então, você pode ter a seguinte certeza: têm alguém na redondeza criando esses “bichinhos”, como animais de estimação (mascote).

 Como a armadilha funciona...

             O mosquito vai ser atraído para a armadilha (que deve ser colocada em um lugar não iluminado já que o mosquito foge da luz). A superfície áspera faz aumentar a evaporação, atraindo os insetos. A fêmea deposita os ovos na parte seca. Logo acima da linha da água. Quando chove ou quando você adiciona mais água à armadilha, a água hidrata os ovos e deles eclodem as larvas. As larvas então descem para comer no fundo.

            Como as larvas recém eclodidas são muito pequenas, elas conseguem passar pela grade do micro-tule que está no bico do funil. Ao passarem para a área interna da armadilha, onde está o alimento, essas larvas crescem neste ambiente, e não conseguirão retornar ao exterior do funil, já que o único caminho está bloqueado pelas malhas do micro tule. Continuando as fases de desenvolvimento, elas já estão grandes demais para poder, mais uma vez, passar pela trama do tule.

            A mosquitérica associada com atitude de civilidade constituem uma solução simples, econômica e ecológica para acabar tanto com os mosquitos da dengue como com todos os incômodos decorrentes da presença de mosquitos, no ambiente urbano. Aqueles que têm alergia à picada de mosquitos que digam da importância dessa situação para o bem-estar da população.

 Você sabia...     

            A invenção da Mosquitoeira® foi idealizada e patenteada pelo Sr. Antônio C. Gonçalves Pereira, funcionário contratado da COPPE-UFRJ junto com o Engenheiro Hermano César M. Jambo. Como o produto não teve sucesso comercial, mas a população estava à mercê da dengue, a equipe do Professor Maulori Cabral, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou, usando garrafas PET, a versão genérica da Mosquitoeira®, chamada Mosquitérica, uma armadilha de eficiência equivalente porém de custo quase Zero.

 Você sabia:

             Que só as fêmeas do Aedes aegypti picam as pessoas; e que elas têm capacidade para voar até 200 metros na sombra, e produzir uma média de 300 ovos durante sua vida?;

            Que os ovos de Aedes aegypti, depois de secos, podem continuar viáveis por até dois anos numa superfície seca, esperando a presença de água para eclodir?

            Que existe um componente genético na dengue hemorrágica. Ou seja, há pessoas que, mesmo sendo contaminadas pelos mosquitos nunca apresentam os sintomas da dengue - mesmo sendo picada pelo aedes aegypti -, enquanto tem outras que, se contaminadas, vão expressar a virose de forma branda, intermediária ou grave, podendo até manifestar a forma hemorrágica?

            Que as estatísticas indicam que 57% de todos os casos de dengue hemorrágica registrados no mundo acontecem em crianças com oito anos, apesar de não se saber, exatamente, o porquê disto?

 Informações Adicionais:

             Não é necessário esvaziar a mosquitérica para continuar a usá-la. Para esvaziá-la, agite o líquido de maneira a molhar todos os espécimes voadores que estejam.presos. Depois é só tirar a tampa e derramar o conteúdo líquido na terra de um jardim ou vaso de planta. Caso queira jogar no vaso sanitário, adicione detergente líquido na água, espere as larvas e pupas morrem e só então jogar.

 Passo-a-passo de como implementar esta idéia no seu município:

 1) Usando as escolas como centros de difusão e implementação:

 • Apresente este projeto ao secretário de educação do município.

 • Este secretário, em seqüência, irá convocar uma reunião dos diretores das escolas municipais para repassar o que aprendeu. Nesta reunião, os diretores também são apresentados ao projeto da mosquitérica e são ensinados a construí-la.

 • Os diretores das escolas, por sua vez, irão repassar a informação às professoras da sua escola.

 • Professoras repassam esta informação aos seus alunos, ajudando cada uma delas a construir duas mosquitéricas.

 • Alunos instalam mosquitéricas: uma na sua casa e a outra ela usará para ensinar outras pessoas do seu bairro a fazer a mosquitérica.

 • Professores acompanham processo do uso da mosquitérica usando um cronograma preparado (ver exemplo).

 • Estudantes são encorajados a ensinar outros moradores da sua comunidade a construir e usar a mosquitérica.

 2) Usando as igrejas como centros de difusão e implementação:

 • Apresente este projeto ao padre ou pastor da sua igreja.

 • Este pastor/padre, em seqüência, irá convocar uma reunião da liderança das suas igrejas para repassar o que aprendeu. Nesta reunião, esses líderes também são apresentados ao projeto da mosquitérica e são ensinados a construí-la.

 • Esses líderes, por sua vez, irão repassar a informação aos membros/paroquianos da sua igreja, ajudando-os a construir duas mosquitéricas.

 • Paroquianos/membros das igrejas instalam uma mosquitérica na sua casa e a outra ela usa para ensinar outras pessoas do seu bairro a fazer a mosquitoeira.

 • Líderes acompanham processo do uso da mosquitérica usando um cronograma preparado (ver exemplo).

 Nota: Este texto foi elaborado a partir de uma compilação de textos e entrevistas geradas pelo Prof. Maulori Cabral e pela Profa. Maria Isabel Liberto, ambos do Departamento de Virologia do IMPPG-UFRJ e diversos artigos encontrados na internet.

 Endereços úteis:

 1) Para compra do Micro-Tule.

 Tecidos e Armarinho 253 Ltda

Rua Buenos Aires, 253

Centro - Rio de Janeiro - RJ

Casa Pinto

Rua Buenos Aires, 178, Fone 21-22240632

Centro - Rio de Janeiro – RJ

ou

Rua Maria de Freitas 146-B

Madureira - Rio de Janeiro – rj

* Um queimadense que hoje mora em Jequié

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Blog da Saúde

Gripe Suína: esclareça suas dúvidas

25-04-2009

por Conceição Lemes
        Desde sexta-feira, dia 24, a influenza suína, ou gripe suína, está no noticiário do mundo inteiro devido à ocorrência da infecção em humanos no México e nos Estados Unidos. São casos graves de pneumonia possivelmente associados ao surgimento de uma variante do vírus da influenza suína A/H1N1. 

        O Comitê de Emergência da OMS, reunido nesse sábado, dia 25, em Genebra, analisou os dados clínicos, epidemiológicos e virológicos disponíveis dos casos notificados. Detectou que faltam informações mais precisas para a OMS tomar as medidas adequadas. Apesar disso, concordou que a situação atual constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. A OMS recomendou a todos os países que intensifiquem a vigilância de surtos incomuns de doenças parecidas com gripe e pneumonia grave.

        No Brasil, até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza suína -- nem em humano nem em animais, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS).

        No entanto, a SVS/MS decretou alerta de emergência em saúde pública desde sexta-feira. Representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura se reunirão diariamente em Brasília para acompanhar a evolução epidemiológica da situação e indicar as medidas adequadas ao país.

VIGILÂNCIA 24 HORAS, NOSSA GRANDE ARMA

        Desde 2005, o Brasil conta com uma rede de vigilância capaz de monitorar a circulação das cepas de vírus respiratórios e, imediatamente, acionar “alarmes” para enfrentamento de emergências de saúde pública. 

        As Coordenações Estaduais de Vigilância em Saúde já foram acionadas para intensificar o processo de monitoramento e detecção de casos suspeitos e comunicá-los, no ato, ao Ministério da Saúde.  Também foi intensificado o monitoramento dos viajantes procedentes do México e dos Estados Unidos nos aeroportos brasileiros. Afinal, vigilância 24 horas é a nossa grande arma não só contra a gripe suína, mas contra todas as doenças infecciosas, novas ou antigas.

        “As vacinas atualmente disponíveis não oferecem proteção contra infecção deste vírus”, alerta o Ministério da Saúde. “Portanto, até o momento, não há indicação de uso da vacina contra influenza como medida de prevenção e controle da gripe suína”.

        Por enquanto, as recomendações do Ministério da Saúde são estas:

        * Passageiros que, nos últimos dez dias, chegaram do México e Estados Unidos e apresentem febre acima de 39 graus, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, nos músculos e nas articulações, devem procurar unidades de referência de atendimento na rede pública de saúde.

        * Passageiros procedentes desses países que desembarcarem no Brasil já com esses sintomas, devem procurar o posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no aeroporto de desembarque.

        * Consumo de produtos de origem suína não representa risco à saúde das pessoas.
 
        * É totalmente dispensável o uso de máscaras, como está acontecendo no México.

OMS ESCLARECE AS DÚVIDAS MAIS FREQUENTES

        Preocupada com o pânico que a desinformação acarreta, a OMS divulgou hoje um boletim, esclarecendo as dúvidas mais freqüentes. As respostas abaixo são própria OMS.

O que é a gripe suína?

        A gripe suína, ou influenza suína, é doença respiratória aguda altamente contagiosa freqüente em porcos, causada por um ou vários vírus A da gripe suína. A morbidade tende a ser alta e a mortalidade, baixa (1-4%). O vírus dissemina-se entre os porcos através de aerossóis e por contato direto e indireto; há registro de porcos portadores assintomáticos. Ocorre entre porcos ao longo de todo o ano, com maior incidência no outono e inverno e em zonas temperadas. Em muitos países, vacina-se rotineiramente os  porcos contra a influenza suína.

        Os vírus da influenza suína são mais comumente do subtipo H1N1, mas há outros subtipos também freqüentes em porcos (por exempplo, H1N2, H3N1, H3N2). Os porcos também podem ser infectados por vírus da gripe aviária e por vírus da influenza sazonal humana. Pensava-se que o vírus suíno H3N2 tivesse sido introduzido originalmente nos porcos por humanos.

        Em alguns casos, os porcos podem ser infectados, ao mesmo tempo, por mais de um tipo de vírus, o que possibilita que os genes desses vírus se misturem. Daí poder resultar um vírus de influenza que contenha genes de várias origens – o chamado vírus recombinante. Embora os vírus da influenza suína sejam normalmente específicos e só infectem porcos, acontece às vezes de ultrapassarem a barreira da espécie e provocar doença em humanos.

Quais as implicações para a saúde humana?

        Têm sido relatados ocasionalmente surtos e infecção esporádica de humanos pela gripe suína. Os sintomas clínicos genéricos são semelhantes ao da gripe sazonal, mas os relatos de apresentações clínicas variam muito, desde infecção assintomática até pneumonia severa, resultando em óbito. Uma vez que a apresentação clínica típica da infecção por gripe suína em humanos é muito parecida com a da influenza sazonal, a maioria dos casos foi detectada por acaso, na vigilância contra a influenza sazonal. Casos leves ou assintomáticos podem não ter sido identificados, motivo pelo qual não se conhece a real extensão da doença entre humanos.

Onde ocorreram casos da doença em humanos?

        Desde em 2007, quando passou a haver uma regulamentação internacional, a OMS foi notificada da ocorrência de casos de gripe suína nos EUA e na Espanha.

Como ocorre a infecção em humanos?

        As pessoas, quase sempre, são infectadas pelo contato com porcos. Mas em alguns casos não há histórico de contato nem com porcos nem com ambientes em que tenha havido porcos. Há alguns registros de transmissão da doença entre humanos, mas sempre limitada a contato muito próximo em grupos de convivência próxima.

É seguro comer porco e produtos de carne suína?

        Sim. Não há registro de transmissão da gripe suína por ingestão de alimentos adequadamente manuseados e preparados com carne de porco ou outros produtos derivados de porcos. O vírus da gripe suína não resiste à cocção em temperaturas superiores a 70°C, como se recomenda para a preparação de carne de porco e outras carnes para alimentação humana.

Que países foram afetados por surtos da doença em porcos?

        A gripe suína não é de notificação obrigatória para as autoridades internacionais de saúde animal. Por isso, não se conhece muito bem a distribuição internacional da doença. A gripe suína é considerada endêmica nos EUA. Sabe-se de surtos em porcos na América do Sul e do Norte, na Europa (incluindo Inglaterra, Suécia e Itália), na África (Quênia) e em áreas do Leste da Ásia, incluindo China e Japão.

Há vacina para proteger seres humanos contra a gripe suína?

        Não. Os vírus da influenza modificam-se muito rapidamente e é muito importante que a vacina e o vírus circulante correspondam um ao outro para que a imunização seja eficaz. Essa é a razão pela qual a OMS tem de selecionar duas vezes por ano os vírus a serem incluídos na vacina contra a gripe sazonal. Uma vez para o inverno no Hemisfério Norte; outra para o inverno No hemisfério sul. A vacina atual contra a influenza produzida a partir das recomendações da OMS não contém o vírus da gripe suína.

Deve-se tomar antivirais para prevenir e tratar a infecção pelo vírus da gripe suína?

        A informação disponível não é suficiente para que se recomende o uso de antivirais na prevenção e tratamento da infecção por vírus da influenza suína.

Importante: até o momento a Organização Mundial de Saúde não recomendou restrições de viagens às áreas afetadas nem de entrada de passageiros vindos desses países. Nessas situações, é vital as autoridades de saúde esclarecerem sistematicamente a população sobre a situação real, sem ocultar nada, apenas a verdade. E você informar-se. Por isso, o Viomundo atualizará o assunto sempre que houver alguma novidade importante.

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Data 04/05/2009
De Rute Marques
Assunto Falta e recohnecimento

Imagine o que seria dos quimadenses se não estivesse a Clinica André Luis, onde seriam feito os partos na casa de mãe Sinforosa? nas residêcias...Gostaria que ela fechase suas portas apenas 30 dias, só assim Voçês saberiam falorizar o pouco que temos e que nem um quimadense nato se preocupou em trazer ruim com ela pior sem minha mãe foi operada ai por Dr. Romilson e eu agradeço a deus todos os dias pela saúde dos médicos e enfermeiros que lá atendem o que vejo neste blog, é uma verdadeira esculhambação com a vida alheira que coisa triste que vergonha quimadense acho que vocês comem e bebe acordam, e amanhecem fazendo politicagem.

Data 05/05/2009
De ra ra
Assunto Re:Falta e recohnecimento

caro amigo todos enternamento eles recebe e bem, porque eles tem mais ainda nada é digraca,para te lembra melho quando eles chegaro em queimadas eles não tinha nada não, o povo de queimadas contribuio com o suseso da vida e da familha toda , poristo quer os queimadese não de ver nada a eles

Data 01/07/2009
De EU ME LEMBRO!
Assunto Re:Re:Falta e recohnecimento

Para que vocês tomem conhecimento, é preciso que se esclareça que todo o material e equipamento de parto que hoje existe na Clinica André Luiz foi carregado do Hospital Municipal na época em que Dr.Divaldo era prefeito. No apagar das luzes, às vesperas de deixar o governo, (derrotado nas urnas), no silencio da madrugada carregaram tudo para a clinica. O Hospital que era bem equipado não faria mais partos. Aquelas que precisassem dos serviços teriam que se dirigir à Clinica. Até hoje somente a Clinica faz partos em Queimadas, ou parteiras.

Data 01/07/2009
De EU
Assunto Re:Re:Re:Falta e recohnecimento

Tenho a impressão que o Sr.EU ME LEMBRO! está enganado. Se não me falha a memória, este fato se deu no final do governo de Heyde, salvo engano. Me lembro perfeitamente que houve muitos comentários nas ruas a respeito. Salvo engano, ou aconteceu nas duas gestões. Das duas uma, ou as duas!

Data 03/05/2009
De Vitoria Sacramento
Assunto Gripe Suina

Se essa gripe chegasse até aqui em Qmdas, a gente morreria, pq depender da clinica de edivaldo, é morte na certa. Infelizmente, essa é a nossa triste realidade!

Data 27/08/2009
De resposta
Assunto Re:Gripe Suina

Hoje? pq todo pão comido é esquecido
não é vc sabem do que eu tou falando?

 

 

LINFOMAS

Dilma vai dar a volta por cima

27-04-2009 

por Conceição Lemes. Do blog Viomundo

        Nesse sábado, durante entrevista coletiva em São Paulo, a própria ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, revelou à imprensa: há cerca de um mês, durante o check-up periódico de saúde que faz preventivamente, teve detectado por acaso, durante os exames, um nódulo de 2 centímetros sob a sua axila esquerda. O nódulo foi retirado cirurgicamente. Os exames complementares não descobriram nenhum outro foco no organismo. A ministra também não tem histórico de câncer na família.
         Há três dias, chegou o resultado definitivo da biópsia do nódulo: linfoma. Durante os próximos quatro meses, a ministra fará quimioterapia. Serão seis sessões de até três horas, com intervalos de três semanas entre uma e outra.
         O oncologista Paulo Hoff, que integra a equipe médica que cuida de Dilma, foi enfático: "O linfoma foi detectado no estágio 1A, o mais inicial possível. Não existe estágio mais precoce do que esse. Não tinha nenhum outro linfonodo. Então, a chance de cura é altíssima. É mais de 90%". Hoff é diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP.
         Linfoma é uma proliferação desordenada dos linfócitos (células de defesa), situados nos linfonodos (gânglios), que fazem parte do nosso sistema de defesa e ajuda o organismo a combater infecções. A multiplicação dos linfócitos altera a estrutura dos gânglios, aumentando-os.
         A ministra tem um linfoma de grandes células, não-Hodgkin. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o Inca, do Ministério da Saúde, o número de casos praticamente duplicou no Brasil nos últimos 25 anos, particularmente entre pessoas acima de 60 anos por razões ainda não esclarecidas.
       O Viomundo entrevistou o oncologista Auro Del Giglio sobre o assunto. Gliglio, considerado pelos colegas médicos como uma das mais autoridades brasileiras em linfoma, é professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Viomundo - Quantos tipos de linfoma existem?

         Auro Del Giglio - São dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin, ou doença de Hodgkin (nome do cientista que o identificou); e linfoma não-Hodgkin. Em cada um desses grupos, há vários tipos.
Viomundo - Clinicamente dá para diferenciá-los?

        Auro Del Giglio - O linfoma de Hodgkin começa localizado e se espalha. O não-Hodgkin tende a se manifestar em vários pontos, a menos que seja detectado muito, muito no início, que, pelo que foi noticiado na imprensa, parece ser o caso da ministra Dilma Rousseff. Mas a única forma segura de distingui-los é por meio do exame anatomopatológico. Amostras do nódulo são analisadas sob microscopia.
Viomundo - Quais os fatores risco para linfoma?
         Auro Del Giglio - Fatores de risco são aquelas situações que podem favorecer o aparecimento de uma determinada doença. No caso do linfoma, há poucos conhecidos. Um deles é a diminuição das defesas do organismo. Doenças hereditárias, uso de drogas imunossupressoras, como as utilizadas em transplantes, artrite reumatóide e doença de Crohn, e infecção pelo HIV, o vírus da aids, aumentam o risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Barr [causa mononucleose] e HTLV1 [causa a leucemia-linfoma T do adulto] e da bactéria Helicobacter pylori [causa úlceras gástricas] têm maior risco para alguns tipos de linfomas. Os linfomas estão também ligados à exposição a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes. A exposição a altas doses de radiação é outro fator que aumenta o risco de a pessoa ter linfoma.  
Viomundo -- Quais os sintomas dos linfomas?
         Auro Del Giglio -- Aumento dos gânglios do pescoço, axilas e/ou virilha; suor excessivo à noite; coceira na pele; perda de peso inexplicada; fadiga.  Linfonodos no pescoço, axila e/ou virilha - atenção! - não costumam doer. Agora, se a doença ocorre na região do tórax, os sintomas podem ser tosse, "falta de ar" (dispnéia) e dor torácica. E quando se apresenta no abdômen, podem ocasionar plenitude e distensão abdominal.
Viomundo - E os efeitos colaterais quimioterapia? Os médicos que tratam da ministra disseram que serão mínimos e ela poderá seguir a agenda normal.
         Auro Del Giglio - Realmente, os efeitos da quimioterapia diminuíram muito graças a novas drogas e a uma série de cuidados adotados atualmente.
Viomundo - Então, a ministra Dilma pode ser presidenta?
         Auro Del Giglio - Com certeza.
Viomundo - Os adversários políticos e a própria imprensa vão utilizar o linfoma como arma contra a ministra. Não será um atraso tentar estigmatizar uma doença que há tanto tempo os médicos, os pacientes e familiares lutam para desestigmatizar?

        Auro Del Giglio - Isso faz parte da luta política. Se não for esse motivo, será outro. Nós temos que rezar para que a ministra se cure. Eu não votaria nela para presidente, mas como médico e ser humano, torço por ela. A ministra tem cura. Vai levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. 

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